Após disputa judicial, 99 abandona serviço de mototáxi na capital paulistavd
A 99 desistiu de operar o serviço de mototáxi na São Paulo após mais de um ano de disputas com a gestão do prefeito Ricardo Nunes.
A decisão foi comunicada nesta quarta-feira, 1º, durante reunião entre representantes da empresa e o chefe do Executivo municipal.
A plataforma informou que vai concentrar suas operações no 99 Food e no serviço de entregas, além de firmar parcerias com a prefeitura em projetos voltados à segurança e às condições de trabalho de motociclistas.
Empresa muda estratégia após restrições
Segundo o CEO da 99 no Brasil, Simeng Wang, a decisão leva em conta o cenário regulatório da capital paulista.
A regulamentação sancionada pela prefeitura em dezembro de 2025 impôs uma série de exigências para o serviço, como uso de placa vermelha, cadastro prévio e restrições de circulação em áreas como o centro expandido.
As empresas consideraram as regras excessivas e chegaram a classificar a norma como uma “proibição disfarçada”.
Ainda assim, diante das limitações e do ambiente de insegurança jurídica, a 99 optou por abandonar definitivamente o projeto.
O embate entre a empresa e a prefeitura teve início em 2023, quando Nunes assinou um decreto proibindo o transporte de passageiros por moto na cidade.
A medida foi contestada por plataformas, que alegaram respaldo em legislação federal e decisões do Supremo Tribunal Federal.
Desde então, o tema passou por uma série de decisões judiciais conflitantes. Em 2025, a 99 chegou a relançar o serviço sem autorização municipal, mas enfrentou novas suspensões na Justiça.
Um dos episódios mais marcantes ocorreu em maio daquele ano, quando uma passageira morreu após um acidente envolvendo o serviço, reforçando os argumentos da prefeitura sobre riscos à segurança viária.
Aproximação com a prefeitura e novos projetos
A reunião desta semana marcou uma reaproximação entre a empresa e a gestão municipal. Como parte do acordo, a 99 deve apoiar iniciativas como a criação de pontos de descanso para motociclistas e projetos de melhoria na segurança no trânsito.
O prefeito destacou que a decisão da empresa considera os riscos do serviço na cidade e ressaltou a importância econômica da plataforma, que ampliou sua operação local nos últimos anos.
Mesmo com a saída da 99 do segmento, a regulamentação municipal segue em vigor. A norma estabelece critérios rígidos para operação de mototáxis e motoapps, incluindo exigências para motoristas, veículos e aplicativos, além de restrições geográficas.
Na prática, segundo empresas do setor, o conjunto de regras inviabiliza a operação do serviço na cidade, cenário que levou à desistência da plataforma.
*Com O Globo
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