Após dois anos, o Primavera Sound retorna a São Paulo com contrato longo

Por Paloma Lazzaro 20 de Maio de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Após dois anos, o Primavera Sound retorna a São Paulo com contrato longo

Nos meses finais da pandemia de Covid-19, em dezembro de 2021, o Primavera Sound anunciou sua primeira edição brasileira após quase dois anos sem grandes eventos de música ao vivo no país.

Com data marcada para o final do ano seguinte, o que fez dessa estreia um sucesso foi o line-up, anunciado no final de abril de 2022. Entre os nomes que se apresentaram no Sambódromo do Anhembi estavam Björk, Mitski, Arctic Monkeys, Travis Scott, Lorde, Charli XCX, Arca e Phoebe Bridgers.

Até hoje, a edição é lembrada com carinho pelos fãs de música e foi chamada de a "mais amada pelos 'nerds de música' nos últimos tempos" pela jornalista Carol Prado. O sucesso foi também material e permitiu que o festival voltasse em 2023, dessa vez no Autódromo de Interlagos com The Cure, Pet Shop Boys, The Killers e Cansei de Ser Sexy escalados.

Apesar do novo endereço com maior capacidade, o público foi menor que o do evento pioneiro. Ao passo que o Primavera Sound São Paulo 2022 teve um público diário de 55 mil pessoas, de acordo com o G1, a edição de 2023 não passou dos 50 mil por dia, segundo os números divulgados pela organização.

No início de 2024, as vendas abriram para a terceira edição festival, mas ela não aconteceu e o Primavera deixou de fazer parte do calendário cultural da capital paulista.

Agora, sob a tutela da produtora Bonus Track Entretenimento, conhecida por eventos como o Todo Mundo no Rio, o festival volta à cidade nos dias 5 e 6 de dezembro de 2026.

"Nada bate a novidade, isso é algo que apenas o primeiro ano de festival tem", diz Luiz Guilherme Niemeyer, co-fundador da Bonus Track, à EXAME Casual. "Acho que a nossa edição tem essa questão do retorno, que eu acho muito forte."

O retorno após dois anos e o 'contrato longo' por trás dele

A volta do Primavera Sound a São Paulo ocorre sob a pressão de recriar o sucesso da primeira edição e evitar a recepção morna da segunda. A aposta da produtora para manter o festival vivo é a estratégia longeva, não necessariamente apostar apenas no hype do retorno.

"A gente acredita muito que um festival é construído ano a ano", afirma Niemeyer. "É um contrato longo que a gente tem agora. Então a ideia é que o Primavera Sound em São Paulo seja construído a longo prazo, entre Bonus Track e o próprio Primavera europeu."

As negociações entre o evento espanhol e a Bonus Track, de acordo com co-fundador, foram bastante naturais e rápidas. O que motivou a retomada da edição brasileira foi, sobretudo, a demanda do público.

"A vontade de voltar veio um pouco por nós e muito por eles também. A edição de São Paulo foi muito bem recebida pelo público. Acho que, fora Barcelona, é a cidade que mais entendeu o Primavera enquanto marca e enquanto conceito", afirma. "Ficou realmente uma uma demanda assim reprimida desse público que ficou carente do Primavera. Isso para mim se comprovou justamente quando a gente anunciou o retorno e já teve uma repercussão enorme."

Outra vantagem é o próprio calendário da paulistano. Com o Lollapalooza ocorrendo no final do primeiro trimestre e o C6 Fest no meio do ano, o público fã de música alternativa não tem grandes eventos no final do ano, momento em que o Primavera ocorre.

Como será a nova edição?

Em 2026, o line-up terá nome consolidados do indie que vivem ciclos de lançamento de álbuns de sucesso, como Gorillaz, The Strokes, FKA Twigs e Lilly Allen.

Novos artistas queridinhos dos críticos também integram a lista de shows, como Underscores, Ana Frango Elétrico e Smerz. Além disso, a seleção conta com clássicos nichados como Ecco2k, Yung Lean e Machine Girl.

"A curadoria do Primavera Sound é um pilar muito bem definido do festival. Ele acontece há mais de 20 anos em Barcelona com a mesma linha de curadoria, sem nunca ter mudado os seus critérios", diz Niemeyer. "Ele é uma referência nessa questão de vanguarda musical, de ser um um lançador de tendências."

Assim como nas edições de 2022 e 2023, ocorrerão eventos em São Paulo e em Buenos Aires em 2026. Ambas contam com produção da Bonus Track, mas têm pequenas diferenças no line-up, apesar de manter os mesmos headliners.

Por que o Primavera foi embora em 2024?

No final de agosto de 2024, em plena efervescência musical com lançamentos como "Brat" de Charli XCX e a chegada de Chappell Roan e de Sabrina Carpenter ao estrelato, o Primavera Sound anunciou que não faria a edição de 2024 em São Paulo.

Niemeyer diz que os motivos exatos não são conhecidos nem pela Bonus Track. "Houveram as duas edições, uma realizada pela Live Nation e outra pela Time for Fun. O motivo da descontinuidade dos organizadores do Primavera com essas produtoras eu não conheço, porque foi um motivo interno deles."

Na época, a notícia foi anunciada nas redes sociais do evento como um comunicado para os fãs: "Nossos planos de reencontro previstos para o final de novembro e início de dezembro deste ano, com festivais em Buenos Aires e São Paulo e Primavera Day em Montevidéu e Assunção, infelizmente terão que esperar. As atuais circunstâncias nos levam a comunicar que o Primavera Sound não acontecerá na América Latina em 2024, devido a dificuldades externas que nos impedem de realizar os eventos com o nível que o público que tanto nos apoia merece", diz o comunicado.

Nas palavras de Alfonso Lanza, diretor do Primavera Sound: “Esta é sem dúvida uma decisão difícil, tomada depois de muitos meses de trabalho e depois de percorrer vários caminhos para poder executar estes eventos com garantias, especialmente na situação atual dos desafios da indústria musical. Uma vez esgotadas todas as possibilidades, temos que ser prudentes e agora colocar toda a nossa energia em planos futuros.”

E acrescentou: “Queremos agradecer aos nossos parceiros locais pela dedicação e esforço, que demonstraram o seu inestimável apoio a um projeto em que continuamos a acreditar pelo seu valor cultural e pela expansão de rotas musicais na América Latina, algo que consideramos positivo para todas as partes envolvidas no processo, desde fãs até artistas”.

Entre os motivos para que o festival não tivesse uma nova edição no Brasil e em Buenos Aires, a nota afirmou que qualquer evento Primavera Sound "é construído com rigorosos padrões de qualidade onde quer que seja realizado. É este nível de exigência em termos artísticos e de produção que nos consolidou mundialmente na vanguarda dos festivais de música".

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