Após perder o emprego na pandemia, ele leva internet a áreas onde poucos querem atuar

Por Estímulo 16 de Maio de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Após perder o emprego na pandemia, ele leva internet a áreas onde poucos querem atuar

Quando a pandemia acelerou a digitalização de serviços essenciais no Brasil, milhões de pessoas em áreas rurais continuavam enfrentando uma limitação básica: a falta de acesso à internet. Foi diante dessa lacuna que William de Souza Sardinha enxergou uma oportunidade de negócio alinhada a um propósito social.

Em 2020, ele fundou a Wiss Telecom, empresa de Pirassununga, no interior paulista, especializada em conectividade para regiões rurais e soluções corporativas em telecomunicações. Poucos anos depois, o negócio se estabeleceu e registra faturamento médio mensal em torno de R$ 130 mil, sustentado por contratos recorrentes e inadimplência controlada entre 2% e 4%.

O crescimento foi acelerado. Em apenas dois anos, a empresa conquistou cerca de mil clientes. Hoje, além do fornecimento de internet, a companhia atua com montagem de redes, consultoria técnica, projetos personalizados para empresas, links dedicados e monitoramento de infraestrutura.

“Nosso foco não é vender apenas internet, mas entregar experiência de conexão, com soluções desenhadas conforme a necessidade de cada cliente”, afirma o empreendedor.

Com experiência no setor desde os 18 anos e formação técnica em telecomunicações e eletricidade, Sardinha decidiu empreender após seu antigo empregador encerrar as operações de atendimento em zonas rurais durante a crise sanitária. Tendo crescido no interior e conhecido de perto a dificuldade de acesso à conectividade, ele assumiu a operação de forma independente.

Apesar da forte base de clientes e da receita recorrente, o setor exige investimentos constantes. No atendimento rural, muitas vezes é necessário instalar quilômetros de fibra óptica para atender um número reduzido de usuários, o que pressiona o caixa operacional.

Para equilibrar as finanças e reduzir o custo do capital, o empreendedor buscou uma linha de crédito de R$ 20 mil, com objetivo principal de substituir uma dívida cara no rotativo do cartão de crédito, cuja taxa chegava a cerca de 14% ao mês.

“Com condições mais previsíveis, consigo organizar melhor o fluxo de caixa e direcionar recursos para áreas estratégicas, como compra de fibras, cabos, roteadores e antenas”, explica.

Gestão estruturada e cultura inclusiva

A gestão financeira da empresa é apoiada por sistemas integrados de ERP e controle financeiro, além de uma profissional dedicada exclusivamente à área e suporte contábil externo. Sardinha também mantém pró-labore fixo, buscando separar de forma rigorosa as finanças pessoais das corporativas.

Mas um dos diferenciais da operação está na cultura interna. Grande parte da equipe da Wiss Telecom é composta por mulheres, inclusive em funções técnicas de campo, ainda pouco comuns no setor.

A empresa adota políticas de flexibilidade que incluem home office, regime híbrido e até a possibilidade de funcionárias levarem seus filhos ao ambiente de trabalho em situações emergenciais. O escritório conta com espaço adaptado para acolher as crianças durante o expediente.

“Eu trabalhei durante muitos anos em ambientes tóxicos. Quando abri minha empresa, quis construir uma cultura diferente, mais saudável e humana”, afirma.

Combinando propósito social, disciplina financeira e uma gestão focada em pessoas, Sardinha agora busca consolidar a expansão da Wiss Telecom em um mercado que ainda apresenta enorme potencial de crescimento fora dos grandes centros.

Este conteúdo foi produzido pelo Fundo de Impacto Estímulo - que apoia pequenos empreendedores brasileiros com crédito facilitado, capacitação e conexões - em parceria com a EXAME. Para saber mais sobre o Estímulo visite o site do projeto. Leia aqui todas as reportagens já publicadas.

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