Após vencer a Netflix, Paramount encara novo obstáculo para acordo de US$ 110 bilhões com a Warner

Por Mateus Omena 3 de Junho de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Após vencer a Netflix, Paramount encara novo obstáculo para acordo de US$ 110 bilhões com a Warner

A Paramount Skydance protocolou junto à Comissão Europeia o pedido formal para aprovação da aquisição da Warner Bros. Discovery em uma transação avaliada em US$ 110 bilhões. O processo marca uma das etapas regulatórias mais relevantes para a conclusão do negócio, que pode reorganizar o setor global de mídia e entretenimento.

A Comissão Europeia, responsável pela análise de fusões e aquisições no bloco formado por 27 países, definiu o dia 7 de julho como prazo inicial para emitir sua avaliação sobre a operação. Caso seja aprovada, a transação reunirá ativos que incluem franquias cinematográficas como Harry Potter, Missão: Impossível e Casablanca, além de marcas de mídia como CNN, CBS, HBO e dezenas de canais de televisão por assinatura.

Em comunicado, a Paramount informou que o avanço do processo regulatório está alinhado ao cronograma previsto para a operação. A empresa afirmou que seguirá colaborando com as autoridades europeias durante a fase de análise da proposta.

A avaliação em Bruxelas representa uma das últimas barreiras regulatórias para o CEO da Paramount Skydance, David Ellison. Nos últimos meses, o executivo conduziu negociações para viabilizar a aquisição, em um processo que incluiu reuniões com acionistas, visitas a Washington e contatos com autoridades políticas dos Estados Unidos.

Se receber o aval dos órgãos reguladores, o negócio colocará a família Ellison no comando de um dos maiores conglomerados de mídia e entretenimento do mundo. David Ellison conta com o apoio de seu pai, Larry Ellison, fundador da Oracle e um dos empresários mais ricos dos Estados Unidos.

Pelas regras europeias de controle de concentrações econômicas, as operações passam inicialmente por uma análise preliminar com duração aproximada de um mês. Quando os reguladores identificam riscos potenciais à concorrência, o processo avança para uma investigação aprofundada, que pode se estender por cerca de três meses.

A legislação permite que a Comissão Europeia imponha condições para aprovação ou até bloqueie operações consideradas prejudiciais à concorrência. Em muitos casos, as empresas negociam medidas corretivas, como a venda de ativos ou unidades de negócio, para reduzir preocupações regulatórias. As discussões entre companhias e autoridades costumam ocorrer antes mesmo da notificação oficial da operação.

Análise europeia e avaliação nos Estados Unidos

Embora a decisão final esteja concentrada na área de concorrência da Comissão Europeia, liderada por Teresa Ribera, executivos da Paramount Skydance também mantiveram contatos com autoridades políticas europeias. Entre eles esteve o presidente da França, Emmanuel Macron, com quem representantes da empresa se reuniram durante este ano.

Nos Estados Unidos, o cenário regulatório parece menos desafiador. Segundo informações publicadas pela Semafor, em 27 de maio, integrantes do Departamento de Justiça demonstraram receptividade aos argumentos apresentados pela companhia. A avaliação preliminar é de que a fusão não causaria prejuízos relevantes à concorrência entre estúdios nem ao mercado de produção audiovisual.

A União Europeia também deverá examinar a operação sob as regras do Regulamento de Subsídios Estrangeiros, instrumento criado para verificar se empresas apoiadas financeiramente por governos estrangeiros obtêm vantagens capazes de distorcer a competição dentro do mercado europeu.

Como a Paramount superou a Netflix na briga pela Warner?

Warner Bros foi alvo da disputa entre Netflix e Paramount. (Foto: Mario Tama/Getty Images) (Mario Tama/Getty Images)

Em 26 de fevereiro, a Warner Bros. Discovery declarou que a proposta apresentada pela Paramount Skydance era superior, do ponto de vista financeiro, à oferta anterior feita pela Netflix. Após revisão, a companhia comunicou que a nova oferta prevê o pagamento de US$ 31 por ação por 100% da empresa.

Depois dessa decisão, a Netflix ganhou quatro dias para apresentar outra proposta. No entanto, a companhia de streaming surpreendeu o mercado ao declarar horas depois que retirou sua proposta para comprar a Warner.

"A transação que negociamos teria criado valor para os acionistas com um caminho claro para a aprovação regulatória", disse a Netflix em um comunicado nesta quinta-feira, 26.

E acrescentou: "No entanto, sempre fomos disciplinados e, pelo preço exigido para igualar a última oferta da Paramount Skydance, o negócio não é mais financeiramente atraente, portanto, estamos recusando a igualar a oferta da Paramount Skydance."

Com a desistência, a proposta de US$ 31 por ação apresentada pela Paramount passa a liderar a disputa pelo controle da Warner Bros. Em dezembro, a Netflix havia fechado acordo de US$ 82,7 bilhões, incluindo dívidas assumidas, para adquirir os ativos. As sucessivas contrapropostas da Paramount reabriram o processo competitivo, e o conselho da Warner considerou a última oferta superior nesta quinta-feira.

A Netflix, uma das pioneiras na TV online, construiu um negócio lucrativo com mais de 325 milhões de consumidores em todo o mundo pagando uma assinatura mensal para assistir a seus programas de TV e filmes, segundo informações do Wall Street Journal.

A base global da Netflix supera 325 milhões de assinantes pagos. Produtoras tradicionais como a Paramount e a Warner lançaram serviços próprios de streaming, mas enfrentam redução de audiência e de receitas publicitárias em suas redes lineares.

A oferta final da Paramount inclui também canais de TV a cabo da Warner, como CNN e TNT, e estabelece o valor de US$ 31 por ação. A empresa é liderada por David Ellison, que iniciou a investida com proposta privada em setembro. O movimento ocorreu um mês após a fusão da Skydance Media com a Paramount, operação que concedeu a Ellison o controle do estúdio, do serviço de streaming e de emissoras como CBS e MTV.

Após perder espaço nas negociações, a Paramount lançou uma oferta pública de aquisição das ações da Warner e indicou que poderia iniciar disputa por procuração na assembleia anual. A companhia também buscou interlocução com reguladores e políticos em Washington, incluindo o presidente dos EUA, Donald Trump.

Diante de rejeições sucessivas, a Paramount revisou os termos financeiros. As mudanças incluíram garantias pessoais superiores a US$ 40 bilhões em ações oferecidas por Larry Ellison, presidente da Oracle.

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