Apresentador foi acusado de matar para ter mais audiência na TV

Por Everton Henrique 8 de Abril de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Apresentador foi acusado de matar para ter mais audiência na TV

Muito antes de se tornar um dos casos mais controversos da televisão brasileira, Wallace Souza era um dos rostos mais conhecidos de Manaus. À frente do programa policial Canal Livre, exibido pela TV Rio Negro entre o fim dos anos 1990 e início dos 2000, ele conquistou grande audiência ao abordar crimes locais com forte apelo popular. Com discursos intensos como “Manaus não pode virar uma terra sem dono”, o apresentador ganhou notoriedade e passou a ser visto por parte da população como uma figura de combate à criminalidade.

O sucesso na televisão impulsionou a carreira política de Wallace Souza, que foi eleito deputado estadual por três mandatos consecutivos. Ex-policial civil — expulso sob acusação que ele negava —, ele construiu uma imagem de defensor das comunidades mais vulneráveis. Paralelamente às reportagens policiais, o programa também oferecia ajuda social e entretenimento, criando uma conexão direta com o público. Segundo o empresário Victor Hugo Magalhães, que trabalhou na produção, “O programa supria uma necessidade que era a falta de governo” .

No entanto, a trajetória do apresentador sofreu uma reviravolta a partir de 2008, quando surgiram denúncias graves envolvendo seu nome. Investigações apontaram a possível ligação de Wallace Souza com uma organização criminosa, que, segundo as autoridades, teria relação com crimes exibidos no próprio programa. O delegado Divanilson Cavalcanti afirmou: “O Canal Livre, na verdade, era uma grande fachada… nada melhor do que ter o crime em primeira mão” . O ex-deputado negou todas as acusações e declarou: “Talvez venha passando a maior perseguição política já registrada neste Estado”.

Queda, investigações e repercussão internacional

Em 2009, Wallace Souza teve o mandato cassado e chegou a ser preso, mas sempre manteve sua inocência. Com problemas de saúde, morreu em 2010, antes da conclusão dos processos. O caso, porém, continuou repercutindo e ganhou projeção mundial com a série documental Bandidos na TV, lançada pela Netflix. O diretor Daniel Bogado destacou a complexidade da história: “Essa história tem uma premissa cativante… os acontecimentos seguintes são repletos de reviravoltas e choques” falou em entrevista para BBC Brasil.

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