Argentina domina ranking de técnicos da Copa do Mundo; Brasil faz feio
A Argentina será o país com mais treinadores comandando seleções na Copa do Mundo de 2026. Atual campeã mundial, a nação terá seis técnicos no torneio, consolidando sua influência também fora das quatro linhas.
Argentina lidera no número de técnicos e países europeus vão logo atrás
Os representantes argentinos serão Lionel Scaloni, pela própria Argentina, Mauricio Pochettino, nos Estados Unidos, Marcelo Bielsa, no Uruguai, Néstor Lorenzo, na Colômbia, Gustavo Alfaro, no Paraguai, e Sebastián Beccacece, no Equador.
Na sequência aparece a França, com cinco treinadores no Mundial: Didier Deschamps, pela seleção francesa, Sébastien Migné, no Haiti, Rudi Garcia, na Bélgica, Sabri Lamouchi, na Tunísia, e Sebastien Desabre, na República Democrática do Congo.
BOULOGNE-BILLANCOURT, FRANÇA - 14 DE MAIO DE 2026: O técnico da seleção francesa, Didier Deschamps, concede entrevista coletiva após anunciar a lista de 26 jogadores convocados para a Copa do Mundo de 2026, em Boulogne-Billancourt, nos arredores de Paris. (Foto: Simon Wohlfahrt / AFP via Getty Images) ((Foto: Simon Wohlfahrt / AFP via Getty Images))
A Espanha terá quatro representantes: Luis de la Fuente, pela própria Espanha, Roberto Martínez, em Portugal, Julen Lopetegui, no Catar, e Thomas Christiansen, no Panamá (Thomas nasceu na Dinamarca, ma tem cidadania espanhola).
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Mesmo fora da Copa, a Itália conta com três técnicos na competição: Carlo Ancelotti, pelo Brasil, Vincenzo Montella, pela Turquia, e Fabio Cannavaro, pelo Uzbequistão.
Já a Alemanha também conta com três "professores" no torneio: Julian Nagelsmann, pela própria Alemanha, Thomas Tuchel, pela Inglaterra, e Ralf Rangnick, pela Áustria.
Brasil não conta com nenhum comandante no torneio
O Brasil, por outro lado, não terá nenhum treinador no comando de seleções classificadas para a Copa. O caso mais próximo foi o de Sylvinho, que não conseguiu levar a Albânia ao Mundial.
Para Roger Machado, treinador e professor da CBF Academy, a diferença entre Brasil e Argentina está ligada a um processo histórico de valorização da formação profissional.
Sylvinho não conseguiu levar a Albânia para a Copa do Mundo (Photo by Mateusz Slodkowski/Getty Images)
“A formação de treinadores é um processo de longo prazo. A Argentina iniciou esse movimento de maneira estruturada antes de nós e hoje colhe parte desses resultados no cenário internacional. No Brasil, a CBF Academy representou um avanço importante na profissionalização da carreira”, afirma Roger à EXAME.
A Associação do Futebol Argentino exige diploma profissional para treinadores desde os anos 1990, por meio da escola oficial ATFA. No Brasil, a estrutura de profissionalização da CBF Academy começou a ganhar força apenas a partir de 2009.
Segundo Thiago Freitas, COO da Roc Nation Sports no Brasil, o modelo brasileiro acabou criando obstáculos para novos profissionais. “Nosso sistema de licenciamento e instrução de treinadores não é um difusor de conhecimento. Pelo custo proibitivo, converteu-se para muitos em uma barreira ao exercício da atividade”, afirma.
Atualmente, o custo total para se formar como técnico na CBF Academy pode ultrapassar R$ 50.000, segundo o Trivela. A formação é feita de forma progressiva por meio de quatro licenças obrigatórias (C, B, A e Pro), com valores individuais variando conforme a categoria.
Especialistas apontam formação de técnicos argentinos há décadas
O cenário também se reflete nas principais ligas internacionais. Atualmente, apenas três treinadores sul-americanos trabalham entre os principais clubes da Europa, todos no futebol espanhol. Dois deles são argentinos: Diego Simeone, no Atlético de Madrid, e Martín Demichelis, no Mallorca. O chileno Manuel Pellegrini completa a lista no Betis.
No Campeonato Brasileiro, oito clubes da Série A contam com treinadores estrangeiros. Cinco deles são portugueses. Entre os sul-americanos, estão os argentinos Eduardo Domínguez, no Atlético-MG, e Luis Zubeldía, no Fluminense, além do uruguaio Paulo Pezzolano, no Internacional.
Alexandre Frota, CEO da FutPro Expo e ex-presidente do Ceará, afirma que a ausência de técnicos brasileiros no Mundial acende um alerta para o futuro da profissão no país.
“O futebol moderno exige muito mais do que conhecimento técnico. O treinador precisa dominar gestão de grupo, comunicação, idiomas e entender diferentes culturas de jogo. Não termos nenhum técnico brasileiro nesta Copa é um ponto de atenção sobre a necessidade de modernização e valorização da formação dos nossos profissionais”, falou à EXAME.
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