Arqueólogos encontram possível sítio de solstício mais antigo que Stonehenge
Arqueólogos britânicos identificaram indícios de que uma área localizada a cerca de cinco quilômetros de Stonehenge pode ter sido utilizada para celebrações ligadas aos solstícios há aproximadamente 5 mil anos.
A descoberta foi anunciada por pesquisadores da Wessex Archaeology e divulgada pelo jornal The New York Times em reportagem publicada na última quinta-feira, 19. Segundo a equipe, duas fossas escavadas na pré-história teriam servido de base para postes de madeira alinhados ao nascer e ao pôr do sol durante os solstícios.
Os pesquisadores afirmam que a estrutura pode ter sido construída cerca de 500 anos antes da instalação das famosas pedras de Stonehenge.
O que foi encontrado em Bulford?
As fossas foram identificadas durante escavações realizadas entre 2015 e 2017 na vila de Bulford, no sul da Inglaterra. Separadas por aproximadamente 120 metros, elas teriam sustentado postes de madeira posicionados de forma a marcar eventos astronômicos específicos.
De acordo com o arqueólogo Phil Harding, que liderou as escavações, o alinhamento sugere que comunidades pré-históricas da região acompanhavam os movimentos do Sol com precisão.
"O Sol era importante para essas comunidades pré-históricas", afirmou Harding ao The New York Times. Segundo ele, os habitantes da região eram capazes de registrar o nascer do sol no solstício de verão com um alto grau de precisão.
Os vestígios foram datados em cerca de 5 mil anos, período semelhante ao das primeiras obras de terra associadas a Stonehenge.
Vestígios de banquetes sugerem rituais pré-históricos
Além das fossas, os arqueólogos encontraram 48 cavidades contendo vestígios de atividades humanas, incluindo fragmentos de cerâmica, carvão, ferramentas de sílex e ossos de animais.
Segundo a equipe, esses materiais representam evidências de banquetes coletivos e sugerem que o local também era utilizado para encontros de caráter religioso ou cerimonial.
Harding afirmou ao jornal americano que as descobertas indicam que as populações da região provavelmente se reuniam para celebrar o nascer do Sol, de forma semelhante às concentrações que ainda ocorrem em Stonehenge durante o solstício de verão.
Especialistas pedem cautela
Apesar do anúncio, os resultados ainda não foram publicados em um artigo científico revisado por pares. Por isso, especialistas que não participaram da pesquisa afirmam que serão necessárias mais evidências para confirmar a interpretação apresentada.
Susan Greaney, arqueóloga da Universidade de Exeter, disse ao NYT que considera a hipótese interessante, mas destacou que gostaria de ver mais informações sobre as fossas e evidências mais robustas de que elas realmente sustentavam postes de madeira.
Segundo a pesquisadora, se a interpretação estiver correta, o achado pode indicar que monumentos alinhados aos solstícios já eram construídos na região séculos antes da instalação das pedras de Stonehenge.
O que a descoberta pode revelar sobre a origem de Stonehenge
Stonehenge é conhecido por seu alinhamento com os movimentos do Sol, especialmente durante os solstícios de verão e inverno.
Caso a hipótese seja confirmada por futuras pesquisas, o sítio de Bulford poderá fornecer novas pistas sobre a origem dessas práticas e sobre a importância dos ciclos solares para as comunidades pré-históricas que ocuparam o sul da Inglaterra.
Por enquanto, os pesquisadores continuam analisando o local enquanto aguardam a publicação formal dos resultados.
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