As 8 lições de carreira da CEO da Decolar: ‘Você não precisa ser bom em tudo’

Por Layane Serrano 17 de Junho de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
As 8 lições de carreira da CEO da Decolar: ‘Você não precisa ser bom em tudo’

Aos 41 anos, Rafaela Rezende acaba de assumir um dos maiores desafios da sua carreira: liderar a operação brasileira da Decolar, principal mercado da companhia na América Latina e peça central na estratégia de crescimento do grupo até 2030.

Mas a trajetória até a cadeira de CEO esteve longe de seguir um roteiro tradicional.

Ela já pediu demissão sem ter outro emprego, recusou propostas financeiramente mais atraentes, trocou o conforto do varejo por uma carreira em tecnologia e voltou a estudar depois dos 35 anos para aprender uma nova linguagem de negócios.

Ao longo da entrevista exclusiva à EXAME, algumas lições apareceram repetidamente em seu discurso. Mais do que falar sobre turismo ou crescimento de negócios durante esse ano de Copa do Mundo, a executiva compartilhou reflexões sobre propósito, aprendizado e tomada de decisão.

Veja os principais ensinamentos dessa executiva durante seus mais de 20 anos no mercado:

1. Você não precisa ser bom em tudo, precisa encontrar o que faz sentido para você

Rafaela gosta de lembrar que foi uma aluna mediana durante boa parte da escola. A mudança aconteceu na faculdade de Administração, quando passou a se interessar pelo conteúdo e se tornou uma das melhores estudantes da turma.

A experiência lhe ensinou que desempenho e propósito costumam caminhar juntos.

"Eu sou muito boa no que eu faço desde que eu acredite que tem propósito", afirma a executiva.

Para ela, produtividade sustentável não nasce da obrigação, mas da conexão genuína com aquilo que se faz.

2. Dinheiro é importante, mas não deve ser o único critério

Ao longo da carreira, Rafaela diz ter visto muitos profissionais trocarem de empresa em busca de aumentos salariais rápidos.

Ela escolheu outro caminho.

Permaneceu por longos períodos em organizações onde acreditava estar aprendendo, mesmo quando havia oportunidades mais lucrativas no mercado.

"Dinheiro sempre foi consequência da minha entrega e da minha dedicação", diz. “O segredo não é trocar de emprego, é saber quando sair”.

Segundo ela, quando o foco está apenas na remuneração imediata, o risco é abrir mão de experiências que poderiam gerar crescimento maior no longo prazo.

3. Nem todo ciclo precisa durar para sempre

Uma das decisões mais difíceis da carreira aconteceu quando deixou a Americanas após sete anos.

Não havia uma nova proposta na mesa. Apenas a sensação de que já não conseguia entregar sua melhor versão.

A executiva defende que profissionais precisam aprender a reconhecer quando um ciclo chegou ao fim.

"Às vezes só perdeu o brilho. Não é um problema da empresa. É só um ciclo que se encerra."

Na sua visão, amadurecimento profissional também passa por saber encerrar etapas sem culpa e sem buscar culpados.

4. Crescimento exige coragem para sair da zona de conforto

Quando decidiu trocar o varejo tradicional pelo universo da tecnologia, Rafaela sabia que estava entrando em um território desconhecido.

Primeiro foi para o iFood. Depois, para a VTEX.

A mudança significou abandonar um ambiente onde já era reconhecida para voltar a aprender praticamente do zero.

"Seguir o caminho seguro não ia me levar para algo extraordinário", afirma.

Para ela, os maiores saltos da carreira costumam acontecer justamente nos momentos de desconforto.

5. Vulnerabilidade pode acelerar sua evolução

Ao chegar à VTEX, a executiva percebeu rapidamente uma limitação.

Ela conhecia profundamente o varejo, mas não dominava o universo técnico dos seus clientes.

O resultado era insegurança.

"Eu tremia quando um CIO me ligava", conta.

Em vez de esconder a dificuldade, decidiu enfrentá-la. Passou a estudar tecnologia semanalmente com integrantes do próprio time até ganhar confiança para participar das discussões técnicas.

Segundo ela, admitir que não sabe algo é o primeiro passo para aprender.

6. Construir algo relevante leva tempo

Em uma época marcada pela pressa e pelas trocas frequentes de emprego, Rafaela defende a importância da permanência.

Foram aproximadamente sete anos na Americanas, oito anos na Máquina de Vendas e quase sete anos na VTEX antes de chegar à presidência da Decolar.

Para ela, resultados relevantes exigem profundidade.

"Dificilmente, você construirá algo relevante em um ou dois anos de empresa," diz.

A executiva acredita que muitos profissionais subestimam o valor de permanecer tempo suficiente para deixar um legado.

7. Se existe medo, talvez você esteja no caminho certo

Mesmo depois de chegar ao topo da carreira, Rafaela afirma que o medo continua presente.

Ao assumir a Decolar, por exemplo, precisou entrar em um setor totalmente novo para ela: o turismo.

A diferença é que hoje ela interpreta esse sentimento de outra forma.

"Hoje vejo como um medo bom, que te desafia a aprender."

Na sua visão, a ausência completa de medo pode ser um sinal de acomodação. Já o desconforto costuma indicar que existe espaço para crescimento.

8. O erro faz parte do caminho

Na visão da CEO, crescer exige disposição para correr riscos. Uma das principais lições que carrega da carreira é a importância de lidar bem com os erros.

"Eu não tenho compromisso de tentar acertar sempre. Eu tenho compromisso em fazer com que a gente chegue aonde precisa chegar. Pode ser que, dentro desse caminho, tenha um monte de erro", afirma.

A filosofia é inspirada no conceito de fail fast ou cultura ‘jet-ski’, bastante utilizada por empresas de tecnologia.

"Vamos testar pequeno, vamos errar rápido, vamos extrair dados, vamos aprender e

A pergunta que guia sua carreira

Ao olhar para trás, existe uma questão que aparece em praticamente todas as decisões tomadas por Rafaela Rezende.

Não é sobre salário. Nem sobre cargo.

É sobre entusiasmo.

"Eu sou movida pelo poder da transformação. Eu vou questionar o status quo. Aquela resposta de que 'sempre foi feito assim' para mim é só gasolina", afirma.

Sempre que percebe que perdeu o brilho nos olhos, ela para e reavalia o caminho.

Talvez seja por isso que uma das frases mais repetidas pela executiva também seja a que melhor resume sua trajetória: "Eu não tenho talento para não ser feliz."

Sobre a Decolar

A projeção de valuation da Decolar prevê um crescimento de US$ 1,7 bilhão em 2025 para US$ 6 bilhões até 2030, refletindo a estratégia de expansão e fortalecimento de sua posição no mercado. Em 2025, as vendas do Grupo somaram aproximadamente R$ 33,5 bilhões na América Latina, sendo R$ 13,4 bilhões no Brasil.

“O Brasil, dentro do Grupo Decolar, representa 40% do negócio, e está chegando nos 50%”, diz a CEO.

Hoje, a operação brasileira tem 20 lojas espalhadas no Brasil, além de 37 lojas em outros países da América Latina (13 na Argentina, 4 no Chile, 3 no Peru, 9 na Colômbia e 8 no México).

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