As bolsas de mão ainda fazem sentido no guarda-roupa?
A Fendi relançou a Baguette original depois que o mercado de revenda mostrou demanda maior pelos modelos dos anos 1990 do que pelas versões novas. A bolsa que Sarah Jessica Parker carregava em Sex and the City voltou às prateleiras da maison em 2025 com as especificações originais. A demanda pelo acessório caiu 5,5% em abril de 2026 em relação ao mesmo mês de 2025, segundo a Lyst. As buscas por roupas com bolsos cresceram 542% no mesmo período. As bolsas acima de US$ 1.000 representam apenas 3% do total de vendas do mercado, segundo dados da plataforma de atacado JOOR.
A era da it bag
Bolsa Maxi Flap, da Chanel, apresentada no primeiro desfile de Matthieu Blazy como diretor criativo da grife (Divulgação)
Por quase duas décadas, a it bag funcionou como um marcador social de leitura imediata. Uma Balenciaga City ou uma Mulberry Bayswater dizia algo específico sobre quem a carregava. O consenso se dispersou com a fragmentação do mercado e a multiplicação de nichos puxados pelos algoritmos. A tote da Trader Joe's, rede americana de supermercados vendida por US$ 3,99, entrou no ranking dos produtos mais desejados do mundo no primeiro trimestre de 2026 da Lyst ao lado da Maxi Flap da Chanel, a US$ 9.300.
Os preços das bolsas de luxo também pesam. A Classic Flap Maxi da Chanel chegou a US$ 13.200 em 2026, alta de 257% desde 2010. A Balenciaga City e a Mulberry Bayswater voltaram a circular nas plataformas de revenda com demanda consistente. A Fashionphile registrou crescimento de buscas por modelos vintage de Chanel, Dior e Fendi ao longo de 2025.
O que está em alta
As passarelas de 2026 mostram silhuetas diferentes das que dominaram os anos 2000 e 2010. Os modelos frouxos e sem estrutura estão cedendo espaço para bolsas com alça superior e formato estruturado, com referências dos anos 1950. A bolsa east-west, com silhueta horizontal usada sob o braço, aparece com frequência no street style das semanas de moda. A Chanel apresentou na Haute Couture de janeiro de 2026 uma versão translúcida da Classic Flap que gerou mais buscas do que qualquer modelo de couro da coleção.
Bolso como alternativa
Parte das mulheres que antes carregariam uma bolsa de mão está preferindo não carregar nada. As buscas por roupas com bolsos funcionais cresceram 542% entre janeiro e abril de 2026, segundo a Lyst. As buscas por pastas executivas subiram 14% no mesmo intervalo.
Hillary Clinton, Nancy Pelosi e Kamala Harris não foram associadas publicamente a nenhum modelo de bolsa durante seus mandatos. Anna Wintour é conhecida por carregar apenas o celular. Margaret Thatcher e Sanae Takaichi, primeira-ministra do Japão, são exceções: as duas usaram a bolsa como elemento deliberado de imagem pública. A Classic Flap da Chanel, a Birkin da Hermès, a Saddle da Dior e a Baguette da Fendi seguem entre os modelos mais buscados nas plataformas de segunda mão em 2026.
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