As dez maiores usinas de energia solar do mundo — e quantas são brasileiras
A energia solar deixou de ser uma promessa para se tornar um dos principais motores da transição energética mundial.
Em menos de uma década, sua participação na geração global de eletricidade saiu de cerca de 1% em 2015 para aproximadamente 6% em 2024, impulsionada sobretudo pela expansão acelerada da China e pela queda no custo dos painéis solares.
No Brasil, onde as fontes renováveis já representam mais de 80% da matriz energética, a energia solar tem mais de 25% de participação e ultrapassa os 68 GW de capacidade operacional.
Além de reduzir emissões, a fonte movimenta cadeias industriais, investimentos em infraestrutura elétrica, armazenamento, financiamento e geração de empregos, o que explica por que segue entre as tecnologias mais incentivadas por governos e empresas.
Hoje, a maior parte das maiores usinas solares do planeta está concentrada em China, Índia, Egito, Emirados Árabes Unidos e Marrocos, combinando alta incidência solar, disponibilidade de terra e políticas agressivas de expansão renovável.
As maiores usinas solares do mundo
A maior usina solar do mundo atualmente é a Midong Solar Park, na China, com capacidade de 3,5 GW.
Localizada em Xinjiang, a planta entrou em operação em 2024 e passou a liderar o ranking global de instalações solares em um único local.
O projeto foi desenvolvido pela China Green Development Group e tem geração estimada em cerca de 6,09 bilhões de kWh por ano.
Na sequência aparece Bhadla Solar Park, na Índia, com 2,25 GW.
Instalado em uma região desértica do Rajasthan, o complexo começou a ser desenvolvido em 2015 e se tornou um dos principais símbolos da estratégia indiana de expansão renovável.
A terceira posição é ocupada por Huanghe Hydropower Golmud Solar Park, na China, com cerca de 2,2 GW.
O projeto faz parte da política chinesa de integração entre megausinas renováveis e linhas de transmissão de ultra-alta tensão para abastecer centros urbanos distantes.
O complexo se tornou um dos maiores exemplos globais de conexão entre geração solar em larga escala e infraestrutura elétrica de longa distância.
Em seguida aparece Pavagada Solar Park, na Índia, com cerca de 2,05 GW.
O parque foi estruturado como parceria entre o governo de Karnataka e a Solar Energy Corporation of India (SECI), utilizando terras áridas para atrair investimentos em geração limpa.
Além da escala energética, o projeto também ficou conhecido pelo impacto ambiental positivo, com estimativas de mitigação de centenas de milhares de toneladas de CO2 por ano.
Fechando o grupo das cinco maiores está Benban Solar Park, no Egito, com capacidade entre 1,65 GW e 1,8 GW.
Construído na região de Aswan, no deserto egípcio, o complexo ganhou escala a partir do programa de tarifas incentivadas lançado pelo governo em 2014.
Benban virou referência para a expansão renovável na África e para a atração de capital internacional em energia limpa.
China e Índia dominam os megaprojetos solares
Entre os maiores complexos do mundo também está Tengger Desert Solar Park, na China, com cerca de 1,55 GW.
Conhecido como “Grande Muralha Solar”, o projeto ocupa parte do deserto de Tengger e se tornou um dos símbolos visuais da expansão energética chinesa.
O parque fornece eletricidade para centenas de milhares de residências e reforça a estratégia do país de instalar grandes plantas em áreas de baixa densidade populacional.
Nos Emirados Árabes Unidos, Noor Abu Dhabi possui capacidade entre 1,17 GW e 1,2 GW e figura entre as maiores usinas utility-scale do planeta.
A planta entrou em operação comercial em 2019 e ganhou destaque internacional pelo baixo custo contratado da energia, considerado um marco para o setor solar global.
Segundo estimativas associadas ao projeto, a operação evita cerca de 1 milhão de toneladas de CO2 por ano.
Outro destaque chinês é Datong Solar Power Top Runner Base, com aproximadamente 1 GW.
O complexo ficou famoso internacionalmente pelo desenho em forma de panda em parte da instalação e foi apresentado como vitrine da política chinesa de expansão fotovoltaica.
Usina foi estruturada em formato de pandas para atrair a atenção e interesse do público jovem para as energias renováveis (Google Maps/Reprodução)
Além do simbolismo, o projeto representa o avanço da reutilização territorial para geração renovável em larga escala.
No Marrocos, o Noor Complex Solar, em Ouarzazate, reúne cerca de 580 MW em suas fases mais conhecidas e se consolidou como um dos projetos renováveis mais emblemáticos do Norte da África.
Parte do complexo utiliza tecnologia solar de concentração com armazenamento térmico, permitindo geração também após o pôr do sol.
E o Brasil? Projetos solares brasileiros
Embora ainda esteja abaixo dos gigantes globais de 2 GW a 3,5 GW, o Brasil já abriga alguns dos maiores complexos solares da América Latina, concentrados principalmente no Nordeste e no Sudeste.
Entre os destaques aparece o Complexo Solar Janaúba, em Minas Gerais, com cerca de 1,2 GW, desenvolvido pela Elera Renováveis.
O empreendimento é tratado como um dos maiores projetos privados solares da América Latina.
Outro destaque é Solar do Sertão, na Bahia, com 690 MWp, desenvolvido pela Enel Green Power em Tabocas do Brejo Velho.
O projeto é frequentemente citado como uma das maiores usinas solares do país.
Também aparece entre os maiores o complexo São Gonçalo, no Piauí, com até 864 MWp projetados.
A usina, também operada pela Enel, se tornou um dos principais símbolos da expansão solar no Nordeste brasileiro.
Outros projetos relevantes incluem Pirapora, em Minas Gerais, com cerca de 399 MWp a 480 MWp, além de Nova Olinda, no Piauí, com 292 MWp.
Expansão acelerada começa a enfrentar gargalos
Apesar do crescimento acelerado, o setor solar também enfrenta desafios estruturais.
No Brasil, a expansão das usinas avançou mais rapidamente do que parte da infraestrutura de transmissão e distribuição, o que levou ao aumento de cortes de geração renovável em determinados horários.
O setor também enfrenta dificuldades relacionadas à conexão de sistemas à rede elétrica, além de pressão causada pelos juros elevados, custo de financiamento e incertezas regulatórias.
Globalmente, a desaceleração observada entre 2024 e 2025 não representa uma reversão da energia solar, mas sim um ritmo menor de crescimento em mercados que passaram por forte expansão nos últimos anos.
Mudanças regulatórias na China e nos Estados Unidos, saturação de algumas redes elétricas e aumento do chamado curtailment — quando parte da energia produzida precisa ser descartada — ajudaram a reduzir a atratividade de novos projetos em determinados mercados.
Ainda assim, a energia solar continua sendo uma das fontes que mais crescem no mundo, impulsionada pela necessidade de reduzir emissões, ampliar segurança energética e diversificar a matriz elétrica global.
Nenhum comentário disponível no momento.
Comentários
Deixe seu comentário abaixo: