Ata do Copom, dados dos EUA e tensão no Oriente Médio: o que move os mercados

Por Caroline Oliveira 5 de Maio de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Ata do Copom, dados dos EUA e tensão no Oriente Médio: o que move os mercados

A agenda desta terça-feira, 5, reúne uma série de indicadores e eventos com potencial de impacto sobre os mercados globais, especialmente nas frentes de política monetária, atividade econômica e mercado de trabalho. Apesar da liquidez reduzida na Ásia por conta de feriados na China e no Japão, o dia é carregado de divulgações relevantes.

O que acompanhar no Brasil

No Brasil, o dia começa às 06h00 com a divulgação do IPC-Fipe de abril, que na última leitura registrou alta de 0,59%. Às 08h00, o Banco Central divulga a ata do Copom referente à reunião de 28 e 29 de abril, quando foi aprovado um corte de 0,25 ponto percentual na Selic, para 14,50% ao ano. O documento pode trazer sinais adicionais sobre os próximos passos da política monetária.

O que acompanhar no exterior

Na Europa, a agenda inclui dados fiscais da França às 03h45 e números de desemprego da Espanha às 04h00, com expectativa de queda de 18,6 mil vagas, após recuo de 22,9 mil na leitura anterior. Às 07h00, ocorre a reunião do Ecofin (Conselho de Assuntos Econômicos e Financeiros da União Europeia).

Já às 09h30, a presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde, faz discurso — evento monitorado de perto por investidores em busca de sinais sobre a trajetória de juros na região. No mesmo horário, também está prevista fala de Luis de Guindos, vice-presidente da instituição. Mais tarde, às 13h30, Philip Lane, economista-chefe do BCE, também se pronuncia.

Nos Estados Unidos, a agenda é intensa ao longo da manhã. Às 09h00, saem os dados de licenças de construção de março — na última leitura, foram 1,372 milhão de autorizações, com queda mensal de 10,8%. Às 09h30, é divulgada a balança comercial, com expectativa de déficit de US$ 59 bilhões, ante US$ 57,3 bilhões no dado anterior. No mesmo horário, também é publicado o índice Redbook, que registrou alta anual de 7,7% na leitura mais recente.

Às 10h45, a S&P Global divulga os PMIs de abril, com expectativa de estabilidade tanto no índice composto (52,0 pontos) quanto no de serviços (51,3 pontos). Na sequência, às 11h00, concentra-se um bloco relevante de indicadores: vendas de casas novas, relatório JOLTS de vagas de emprego e o PMI ISM de serviços.

Para as vendas de casas novas, a projeção é de 1 mil unidades, após 587 mil no dado anterior. O relatório JOLTS deve apontar cerca de 6,87 milhões de vagas abertas, próximo das 6,882 milhões da leitura anterior. Já o ISM de serviços tem expectativa de 53,8 pontos — nível que, acima de 50, indica expansão da atividade. Em conjunto, esses indicadores ajudam a calibrar as expectativas sobre o ritmo da economia e os próximos passos do Federal Reserve (Fed).

Ainda nos EUA, o índice IBD/TIPP de Otimismo Econômico sai às 11h10. A estimativa é de 42,0 contra 42,8 na última divulgação. O indicador GDPNow do Fed de Atlanta, com projeção de manutenção de crescimento em 3,5% para o segundo trimestre, é atualizado às 12h30, enquanto dirigentes do Fed discursam às 13h30.

No fim do dia, às 17h30, saem os estoques semanais de petróleo da API, que na última divulgação registraram queda de 1,79 milhão de barris, podendo impactar os preços da commodity.

Na madrugada, o destaque fica com a decisão de juros na Austrália, às 01h30, com expectativa de corte da taxa básica de 4,35% para 4,10%, além da divulgação do comunicado do banco central. Ainda na região, saem dados de PIB da Indonésia às 01h00 e de Hong Kong às 05h30. De noite, às 22h45, a China publica o PMI Caixin de serviços de abril.

Balanços corporativos

Nesta terça-feira, o calendário de resultados está bastante carregado, com destaque para uma série de empresas brasileiras e alguns pesos-pesados globais. Antes da abertura do mercado, a Ambev divulga seu balanço, tradicionalmente acompanhado de perto por investidores como indicador de consumo e desempenho do setor de bebidas na América Latina.

Após o fechamento, concentra-se a maior parte dos resultados no Brasil, incluindo Itaú Unibanco — que também figura no calendário internacional com a divulgação do 1T26 —, Axia Energia (ex-Eletrobras), ISA Energia, TIM Brasil, Iguatemi, Copel, Prio, RD Saúde, C&A, GPA e Tenda.

No cenário internacional, também divulgam resultados a HSBC Holdings e a Pfizer Inc., ambas referentes ao primeiro trimestre de 2026.

Oriente Médio: tensão geopolítica segue no radar

As tensões no Oriente Médio voltaram a ganhar destaque. Os Emirados Árabes Unidos informaram ter sido alvo de ataques atribuídos ao Irã, com uso de mísseis e drones. Segundo o Ministério da Defesa, quatro mísseis de cruzeiro foram detectados — três interceptados e um que caiu no mar. Um ataque com drones também atingiu uma instalação de energia no emirado de Fujairah, deixando três feridos, sem registro de mortes até o momento.

Em paralelo, os Estados Unidos anunciaram o envio de forças navais para escoltar embarcações no Estreito de Ormuz, uma das principais rotas globais de transporte de petróleo. A operação, chamada de “Projeto Liberdade”, deve envolver destróieres, mais de 100 aeronaves e cerca de 15 mil militares.

O Irã reagiu com ameaças diretas, afirmando que qualquer presença militar estrangeira na região poderá ser alvo de ataques — o que eleva o risco de confronto direto.

O pano de fundo da crise é o bloqueio parcial do Estreito de Ormuz, em vigor desde o fim de fevereiro, após a intensificação do conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã. A restrição tem afetado o fluxo de navios comerciais — mais de 900 embarcações foram impactadas — e gerado dificuldades logísticas, incluindo escassez de suprimentos.

Os reflexos já aparecem nos mercados: o petróleo tipo Brent chegou a US$ 126 recentemente, acumulando forte volatilidade, antes de recuar para a faixa de US$ 108.

Apesar de um cessar-fogo formal desde abril, as negociações seguem sem avanço relevante, mantendo o risco geopolítico elevado — especialmente para energia, inflação global e cadeias de suprimento.

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