Como esta fintech planeja integrar pagamentos entre Brasil e Paraguai

Por Bianca Camatta 2 de Maio de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Como esta fintech planeja integrar pagamentos entre Brasil e Paraguai

O avanço do comércio transfronteiriço na América do Sul evidencia um desafio antigo: o fluxo de dinheiro cresce mais rápido do que a infraestrutura financeira.

A Sttart Pay, fintech que atua como prestadora de serviços de pagamento, quer ocupar esse espaço. A empresa acaba de investir R$ 8 milhões de reais na Exim Corretora de Câmbio, e lança a Sttart Capital, operação de crédito no Paraguai.

Os movimentos acontecem em um momento de crescimento do fluxo entre os dois países. Segundo o Banco Central do Paraguai, o comércio de fronteira já movimenta mais de 1 bilhão de dólares por ano no setor de bens de consumo, com alta de 11,3%.

“Estamos construindo uma arquitetura cambial que une tecnologia, compliance e execução direta. A integração com a corretora nos permite ganhar eficiência, reduzir dependências e acelerar nossa atuação regional com mais previsibilidade”, afirma Carlos Henrique Junior, CEO da Sttart Pay.

A empresa quer consolidar um modelo verticalizado, que integra câmbio, pagamentos e crédito, para reduzir intermediações e acelerar a liquidez de pequenas e médias empresas que operam nessas regiões.

Pix puxa estratégia que integra câmbio e crédito

No momento, a principal aposta da Sttart Pay está no uso do Pix como meio de pagamento internacional no comércio de fronteira. A fintech permite que brasileiros paguem compras no Paraguai diretamente com o sistema criado pelo Banco Central, sem precisar baixar novos aplicativos ou recorrer ao câmbio tradicional.

Na prática, o cliente paga em reais via Pix, enquanto a Sttart faz a intermediação e liquida o valor ao comerciante local por meio de uma operação cambial consolidada.

Ao concentrar múltiplas transações em uma única operação, a empresa reduz custos típicos de transferências internacionais. “Queremos que o cliente faça uma compra fora do país como se estivesse em casa”, afirma o CEO.

O avanço no Pix se conecta à estratégia de verticalização do câmbio. A Sttart investiu R$ 8 milhões na Exim Corretora para ganhar mais controle sobre a liquidação das operações e reduzir a dependência de intermediários.

A operação, ainda em aprovação, prevê capitalização progressiva até 2028. Com isso, a fintech busca eficiência em eFX (electronic Foreign Exchange, câmbio eletrônico) e mais previsibilidade nas transações. “A partir do momento que eu tenho uma instituição financeira nos dois países, eu dependo de menos atores e ganho velocidade”, afirma.

Na outra ponta, a empresa aposta em crédito para destravar o fluxo na região. A Sttart Capital foi estruturada para atuar no Paraguai com foco em comerciantes que vendem para brasileiros, especialmente em regiões de fronteira, como Ciudad del Este.

A proposta é antecipar recebíveis e financiar capital de giro.“Existe um volume bilionário de consumo brasileiro no Paraguai, mas ainda com baixa oferta de crédito para quem está na ponta. Nossa proposta é transformar vendas em liquidez imediata”, afirma o Junior.

Próximos passos na América do Sul

A estratégia passa por replicar o modelo: entrar em regiões com fluxo relevante e baixa infraestrutura financeira, integrando serviços.

Hoje, a startup tem suas soluções presentes em mais de 500 pontos comerciais no Paraguai. Com o investimento na corretora de câmbio, o objetivo é triplicar a receita da empresa.

“É um investimento que se paga ao longo do tempo. A gente atinge o break-even, ponto de equilíbrio financeiro, em um espaço relativamente curto e, a partir daí, passa a operar com um custo mais competitivo, o que nos dá vantagem no mercado”, afirma.

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