Ata do Fed, inflação no Brasil e cessar-fogo no Irã: o que move os mercados
Na agenda desta quarta-feira, 8, os investidores acompanham indicadores relevantes de inflação e atividade no Brasil e no exterior, além de sinais adicionais sobre a trajetória dos juros nos Estados Unidos.
O que acompanhar no Brasil
No cenário doméstico, a Fundação Getulio Vargas (FGV) divulga às 08h o Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna (IGP-DI) de março. O indicador mede a variação de preços no atacado, no consumidor e na construção civil, servindo como referência para reajustes de contratos e aluguéis e como sinal relevante da dinâmica inflacionária no país.
Às 14h30, o Banco Central (BC) divulga o fluxo cambial semanal e o Índice de Commodities Brasil (IC-Br) de março.
O fluxo cambial semanal mostra a diferença entre a entrada e a saída de recursos externos no país por meio de operações financeiras e comerciais, sendo um indicador importante para acompanhar a dinâmica do câmbio e a tendência de valorização ou desvalorização do real frente ao dólar.
O IC-Br mede a evolução dos preços, em reais, de commodities agropecuárias, metálicas e energéticas — com forte peso do setor agropecuário, responsável por cerca de 67% da composição — e funciona como um termômetro relevante da pressão sobre insumos e custos na economia.
Em fevereiro deste ano, o índice registrou queda de 3,22%, influenciado pela retração nos segmentos de metais e agropecuária. Em paralelo, a Confederação Nacional das Indústrias (CNI) também divulga indicadores do setor.
Agenda do mercado no exterior
No exterior, pela manhã, às 6h, a Eurostat divulga dados de vendas no varejo e preços ao produtor da Área do Euro, enquanto o Instituto Nacional de Estatísticas (INE) do Chile publica o índice de preços ao consumidor de março, relevante para o cenário inflacionário regional.
Nos Estados Unidos, o mercado acompanha às 11h30 a divulgação dos estoques semanais de petróleo bruto pelo Departamento de Energia americano, referente à semana até 3 de abril. Na leitura anterior, houve aumento de 5,451 milhões de barris.
O dado ganha relevância em um momento de maior sensibilidade dos preços da commodity, ajudando a calibrar as expectativas sobre oferta e demanda no mercado global de energia.
Mais tarde, às 14h, o Tesouro americano realiza o leilão de T-notes de 10 anos. A demanda pelos títulos será observada de perto por investidores, já que pode oferecer sinais sobre o apetite por ativos considerados seguros e influenciar a dinâmica das taxas de juros de longo prazo nos Estados Unidos.
Mas o grande destaque será a ata da última reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC), órgão do Federal Reserve (Fed), às 15h. O documento deve detalhar as discussões internas sobre a condução da política monetária, incluindo sinalizações da taxa de juros e inflação.
Balanços internacionais
Três empresas relevantes divulgam resultados nesta quarta-feira e devem atrair a atenção dos investidores por sinais sobre custos, demanda e perspectivas setoriais.
A Delta Air Lines (DAL) será monitorada principalmente pelo impacto da alta do combustível de aviação sobre margens e pela resiliência da demanda por viagens, em um momento de pressão global nos custos energéticos. O mercado também deve buscar indicações sobre repasses tarifários e projeções neste 1T26 para o restante do ano.
Já a New Fortress Energy Inc. (NFE) deve trazer sinais sobre a evolução dos projetos de gás natural liquefeito (GNL), estrutura de capital e geração de caixa no balanço do 4T25, pontos centrais após um período de maior volatilidade operacional e financeira na companhia.
Por fim, a Constellation Brands (STZ) tende a funcionar como termômetro do consumo nos Estados Unidos nos dados do 4T26, com atenção especial ao desempenho das marcas premium de cerveja e às margens diante de pressões de custos e mudanças no padrão de consumo.
Trump recua e anuncia suspensão de ataques ao Irã por duas semanas
A guerra no Oriente Médio segue no radar dos investidores nesta quarta após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ter concordado com a proposta do Paquistão em suspender os ataques contra o Irã por duas semanas. A decisão foi anunciada na noite desta terça antes de expirar o prazo estabelecido pelo presidente americano para o regime de Teerã reabrir o estreito de Ormuz.
"Com base nas conversas com o Primeiro-Ministro Shehbaz Sharif e o Marechal de Campo Asim Munir, do Paquistão, nas quais me solicitaram que suspendesse o envio de forças destrutivas ao Irã esta noite, e desde que a República Islâmica do Irã concordasse com a ABERTURA COMPLETA, IMEDIATA e SEGURA do Estreito de Ormuz, concordo em suspender os bombardeios e ataques ao Irã por um período de duas semanas. Este será um CESSAR-FOGO bilateral!", declarou Trump na publicação.
Após a declaração de Trump, o Irã confirmou o acordo com os Estados Unidos e afirmou que permitirá a reabertura do Estreito de Ormuz por um período inicial de duas semanas.
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