Avanço da oposição no Nordeste testa força eleitoral de Lula na região
O Nordeste, historicamente o principal reduto eleitoral do PT, entra no novo ciclo com sinais de maior competitividade. A região que, nas últimas eleições, funcionou como base sólida de apoio ao partido agora apresenta disputas mais abertas em estados-chave.
O desafio para o PT não é apenas manter a liderança, mas sustentar sua vantagem em um cenário mais competitivo e menos previsível.
Em 2022, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) teve 69,34% dos votos válidos na região, contra 30,66% do ex-presidente Jair Bolsonaro. A porcentagem foi a menor das últimas quatro eleições, mas elegeu nomes de esquerda nos estados e foi determinante para a vitória petista.
Na comparação de intenção de votos, em 2022, Lula aparecia com 60% na região em abril. Hoje, esse percentual é de 55%.
“A grande questão que está posta no momento é se Lula consegue manter uma vantagem suficientemente grande para fazer frente às eleições mais difíceis em outras regiões”, diz Cristiano Noronha, cientista político da consultoria Arko Advice.
Na Bahia e no Ceará, dois dos maiores colégios eleitorais da região, nomes como ACM Neto (União) e Ciro Gomes (PSDB) mostram força na disputa local.
No Ceará, o ex-ministro surge em vantagem nas simulações de primeiro e segundo turno contra o atual governador, Elmano de Freitas (PT). Nos bastidores, há discussões sobre a possibilidade de o ex-governador Camilo Santana (PT) assumir a cabeça de chapa para evitar uma derrota do partido. Por ora, ele continua à frente da coordenação da campanha.
O anúncio de Ciro Gomes como possível pré-candidato à Presidência do PSDB pode mexer ainda mais nessa disputa.
Já na Bahia, o ex-prefeito de Salvador lidera com até 7 pontos de diferença sobre o atual governador, Jerônimo Rodrigues (PT). Rui Costa, ex-ministro da Casa Civil, também é citado como alternativa para a disputa, mas deve concorrer ao Senado. O partido governa o estado há 20 anos.
“A sensação que ocorre na Bahia é muito de cansaço. Quando um espectro fica muito tempo no poder, a população tem uma vontade de mudança”, diz Cila Schulman, presidente do instituto Ideia.
Rio Grande do Norte e Maranhão também são desafios
Ao mesmo tempo, o PT busca fazer a sucessão em outros estados nordestinos, em campanhas que tendem a ser mais disputadas do que em ciclos anteriores.
No Rio Grande do Norte, o ex-secretário Cadu Xavier (PT) é apontado como pré-candidato à sucessão da governadora Fátima Bezerra (PT), mas ainda enfrenta dificuldade para ganhar tração nas pesquisas, em um contexto de avaliação negativa da atual gestão. Xavier aparece apenas com 6% e terá como adversários o ex-prefeito de Natal Álvaro Dias (PL) e o prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra (União Brasil).
No Maranhão, o vice-governador Felipe Camarão, também do PT, ainda não se consolidou como favorito e trava uma disputa com o seu chefe, o governador Carlos Brandão, que lançou seu sobrinho como pré-candidato ao governo. Além disso, o bem avaliado ex-prefeito de São Luís, Eduardo Braide (PSD), aparece como favorito. A combinação de adversários competitivos, desgaste de governos e maior autonomia regional cria um ambiente mais desafiador para Lula.
Todo esse cenário cria um alerta para os petistas, com a possibilidade da redução da vantagem histórica de Lula na região. A questão é quanto possíveis derrotas em estados-chave podem alterar o resultado nacional.
“A aprovação de Lula está mais estável após uma queda no começo do ano, mas ele não pode perder de forma nenhuma nesses estados”, diz Schulman.
Nenhum comentário disponível no momento.
Comentários
Deixe seu comentário abaixo: