Aversão ao risco derruba Wall Street após dados de emprego e queda das techs

Por Clara Assunção 6 de Fevereiro de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Aversão ao risco derruba Wall Street após dados de emprego e queda das techs

As principais bolsas de Nova York encerram as negociações nesta quinta-feira, 5, com forte queda, em um pregão marcado por forte aversão a risco, pressionado por dados mais fracos do mercado de trabalho dos Estados Unidos, pela continuidade da queda das ações de tecnologia e pelo aumento da volatilidade nos mercados.

Logo na abertura, os índices já operavam em baixa, refletindo o desempenho negativo do setor de tecnologia. Ao longo do dia, as perdas se intensificaram após a divulgação de indicadores que mostraram sinais de enfraquecimento do mercado de trabalho americano.

No fechamento, Dow Jones recuou 1,20%. O S&P 500 caiu 1,23% e o Nasdaq registrou baixa de 1,59%.

O índice de volatilidade VIX, conhecido em Wall Street como “índice do medo”, subiu 16,79%, alcançando 21,77 pontos, depois de uma alta de mais de 20% mais cedo.

As ações de tecnologia seguiram sob pressão pelo terceiro pregão consecutivo. A Alphabet (GOOGL) chegou a cair mais de 7% ao longo da sessão, mas reduziu o ritmo de perdas e recuaram 0,54%, após divulgar um plano para praticamente dobrar seus gastos de capital neste ano.

Em nota divulgada nesta quinta, os analistas do Deutsche Bank afirmaram à Bloomberg que a empresa "surpreendeu o mundo" com o tamanho do plano de investimentos. Segundo eles, em um setor que passa por transformações constantes, ainda não está claro se o movimento será positivo ou negativo.

A controladora do Google informou que os investimentos elevados em inteligência artificial — voltados à expansão de infraestrutura, pesquisa e contratação de talentos — são considerados essenciais para competir com rivais como Amazon, Microsoft e OpenAI.

Ainda assim, os resultados da empresa contribuíram para o aumento do desânimo em relação às ações de tecnologia, em um movimento de saída de recursos do setor, especialmente de empresas de software, que se estende pelo terceiro dia consecutivo.

Outras grandes companhias do setor também registraram quedas expressivas. A Qualcomm encerrou com forte queda de 8,46% após apresentar uma projeção de receita pouco animadora para o período atual. Já as ações da Amazon caíram 4,56% antes da divulgação do balanço.

Pressão vendedora lembra queda do início de 2025

Segundo Michael Kantrowitz, estrategista-chefe de investimentos da Piper Sandler, o mercado assiste ao aprofundamento de uma divisão econômica e financeira que vem se desenrolando há três anos. Em entrevista à Bloomberg, ele afirmou que essa bifurcação começa agora a se ampliar de forma mais clara.

No campo técnico, Scott Wren, do Wells Fargo Investment Institute, afirmou que o S&P 500 testa a média móvel de 100 dias. Segundo ele, o “suporte real” do índice está em 6.550 pontos e, depois, na média móvel de 200 dias, que está em torno de 6.460 pontos.

Para Nancy Tengler, CEO e diretora de investimentos da Laffer Tengler Investments, a atual onda de vendas lembra a forte correção observada no mercado de tecnologia entre os episódios conhecidos como DeepSeek e Dia da Libertação, nos primeiros meses de 2025.

Ela afirmou que os investidores estão cada vez mais céticos em relação aos orçamentos crescentes das grandes empresas de tecnologia voltados à inteligência artificial. Enquanto algumas companhias, como a Meta Platforms, conseguiram convencer o mercado, outras — como Tesla e Microsoft — enfrentam mais dificuldades.

O índice da Bloomberg que acompanha as chamadas “Sete Magníficas” caía 1,5% nesta quinta-feira.

Dados do mercado de trabalho dos EUA no radar

Além do desempenho do setor de tecnologia, os dados do mercado de trabalho dos Estados Unidos também pressionam os mercados. As vagas de emprego registraram uma queda inesperada em dezembro, atingindo o menor nível desde 2020, enquanto as demissões aumentaram ligeiramente, segundo dados do Departamento de Estatísticas do Trabalho divulgados nesta quinta-feira.

Levantamento da Challenger, Gray & Christmas mostrou ainda que as empresas anunciaram, em janeiro, o maior número de cortes de empregos para o mês desde o auge da Grande Recessão, em 2009. Já os pedidos iniciais de auxílio-desemprego superaram as estimativas na semana passada, com aumento de 22 mil solicitações, totalizando 231 mil, de acordo com dados do Departamento do Trabalho.

À Bloomberg, Vishal Vivek, estrategista da mesa de operações do Citigroup, afirmou que os três indicadores vieram abaixo do esperado e que, embora nenhum deles seja crítico isoladamente, tendem a afetar gradualmente o crescimento dos Estados Unidos, principal motor das ações cíclicas que sustentaram o mercado neste ano.

Tombo das criptos

O movimento de aversão a risco foi ampliado pela forte queda dos ativos ligados a criptomoedas. As ações do setor despencaram após o bitcoin atingir o menor nível desde 2024, em meio ao desmonte de posições alavancadas e à turbulência generalizada que vem atingindo o mercado cripto nas últimas três semanas.

“O mercado está nervoso em meio à venda contínua de ativos que já despencaram — prata, ouro e criptomoedas”, afirmou Julian Emanuel, estrategista-chefe de ações e quantitativo da Evercore ISI, acrescentando que os fundos de hedge estão reduzindo ativamente suas posições.

Nesta quinta, o bitcoin caiu para menos de US$ 67.000, chegando a US$ 67.675, seu menor valor desde novembro de 2024. A criptomoeda acumula queda de 20% apenas nesta semana. No comparativo anual, o bitcoin recua quase 30%, enquanto o ouro registra alta de 68%.

Outras criptomoedas também apresentaram perdas acentuadas. O ether caiu 23% nesta semana, caminhando para sua pior performance semanal desde novembro de 2022. Já a solana recuou para US$ 88,42, o menor nível em cerca de dois anos, acumulando queda de 24% na semana.

(*) Com informações da Bloomberg e da CNBC

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