Azul anuncia saída de recuperação judicial nos EUA
A Azul S.A (AZUL53). anunciou nesta sexta-feira, 20, a conclusão de sua saída do processo de recuperação judicial nos Estados Unidos, conhecido como Chapter 11. A decisão marca o fim de uma reestruturação financeira que durou menos de nove meses.
O plano de reorganização já havia sido confirmado pela Justiça americana em dezembro de 2025 e, que segundo a companhia aérea em fato relevante, entrou oficialmente em vigor agora. Com isso, a empresa afirma iniciar agora uma "nova fase com menor alavancagem, reforço de caixa e redução relevante de passivos".
Como parte do processo, a Azul recebeu US$ 850 milhões em novos investimentos em ações na conclusão da reestruturação — incluindo aportes de detentores de títulos e US$ 100 milhões da United Airlines divulgados nesta semana.
A companhia também formalizou um compromisso de investimento adicional de US$ 100 milhões da American Airlines, ainda sujeito à aprovação do Cade.
Além da entrada de capital, a aérea captou US$ 1,375 bilhão em novos títulos de saída e reduziu aproximadamente US$ 2,5 bilhões em dívidas e obrigações de arrendamento em relação aos valores anteriores ao pedido de recuperação.
Segundo a empresa, houve ainda corte superior a 50% nas despesas anuais com juros e redução de cerca de 36% na dívida de leasing de aeronaves, sem diminuição da capacidade operacional. A alavancagem líquida proforma ficou abaixo de 2,5 vezes na saída do processo, o menor nível da história da companhia, de acordo com a Azul.
"Esse é um marco decisivo para a Azul", afirmou o CEO John Rodgerson em nota. "Em menos de nove meses, concluímos uma reestruturação abrangente que fortaleceu significativamente nosso balanço e posicionou a Azul para a estabilidade de longo prazo. Estamos saindo do Chapter 11 com o apoio de alguns dos mais respeitados parceiros financeiros e estratégicos da aviação global", acrescentou.
O que foi a recuperação judicial da Azul
Em maio do ano passado, a Azul protocolou o pedido de Chapter 11, equivalente à recuperação judicial, na Justiça americana. Em dezembro, o Tribunal dos EUA aprovou o plano de reorganização, com mais de 90% de aprovação em todas as classes de credores elegíveis.
A empresa afirmou que isso abriria caminho para a conclusão do processo já no início de 2026, após a finalização das transações determinadas no plano, incluindo a redução de mais de US$ 3 bilhões em dívidas, em obrigações com arrendamentos, em juros anuais e em custos recorrentes com frota.
Durante o período de reestruturação, a companhia manteve suas operações regulares, com cerca de 800 voos diários. Atualmente, a empresa atende mais de 130 cidades em aproximadamente 250 rotas, com frota em torno de 175 aeronaves. Cerca de 80% dos aviões são de nova geração, segundo a companhia.
Com a estrutura de capital reequilibrada, a aérea afirma que pretende focar em crescimento disciplinado, eficiência operacional e geração de valor no longo prazo.
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