Ibovespa fecha acima dos 190 mil pontos e bate 12º recorde em 2026
O Ibovespa fechou em forte alta as negociações nesta sexta-feira, 20, renovando tanto a máxima intradiária quanto o recorde de fechamento. O principal índice da B3 subiu 1,06% e encerrou aos 190.534,42 pontos — a primeira vez que a bolsa brasileira superou os 190 mil pontos.
Com o fechamento de hoje, a bolsa brasileira soma o 12º recorde do ano, ultrapassando a marca anterior de 11 de fevereiro, quando o índice havia encerrado aos 189.699,12 pontos. Na última hora de negociação, o índice também renovou a máxima histórica intradiária ao subir 1,16% e bater os 190.726,78 pontos.
O movimento ganhou força ao longo da tarde e foi impulsionado principalmente pela decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos, que considerou ilegais as tarifas comerciais impostas pelo presidente Donald Trump com base na IEEPA (Lei de Poderes para Emergências Econômicas Internacionais, de 1977).
Por 6 votos a 3, os juízes entenderam que o presidente excedeu sua autoridade ao impor tarifas amplas sem aval do Congresso.
A decisão reduz, ao menos no curto prazo, o risco de uma escalada comercial e reforça o ambiente de apetite por risco global — o que beneficiou mercados emergentes como o Brasil.
O que muda para o Brasil
Segundo André Valério, economista sênior do Inter, Brasil, China e Canadá tendem a ser alguns dos principais beneficiados. Mais da metade das exportações brasileiras para os EUA ainda estava sujeita a tarifas de 50%, que agora recuariam para 15%, favorecendo sobretudo a indústria de transformação.
Ele pondera, porém, que a decisão se refere apenas às tarifas anunciadas em 2 de abril — medidas como as tarifas sobre aço e alumínio seguem em vigor. Além disso, avalia que o impacto nos mercados tende a ser marginal, já que havia ampla expectativa de que a Suprema Corte derrubaria o instrumento usado por Trump.
"Na margem, é um fator positivo que adiciona combustível ao movimento global de reposicionamento de portfólios estrangeiros, beneficiando o real e a bolsa", afirma. Ainda assim, o economista acredita que o governo americano pode tentar reconstruir barreiras comerciais por outros instrumentos, o que manteria a volatilidade no radar.
Sobre a possibilidade de reembolso de cerca de US$ 175 bilhões arrecadados via IEEPA, Valério considera o cenário pouco provável no curto prazo, já que a questão deve se arrastar judicialmente.
Rafael Cardoso, economista-chefe do Daycoval, avalia que, para o Brasil, a reversão anula o impacto negativo estimado anteriormente sobre o Produto Interno Bruto (PIB), especialmente em setores exportadores mais afetados. Contudo, ele ressalta que a recuperação não é automática, já que há fricções comerciais, contratos já firmados e possíveis mudanças nas cadeias de suprimento.
No câmbio, a retirada das tarifas pode exercer leve pressão adicional de apreciação sobre o real, caso influencie a curva de juros americana. Ainda assim, ele classifica o efeito como diminuto e lembra que o cenário segue sujeito a mudanças, caso Trump tente restabelecer barreiras por outros meios.
Ações e commodities
No pregão doméstico, a alta foi disseminada. A Vale (VALE3), que representa cerca de 12% da carteira do Ibovespa, ficou entre as maiores altas do dia. Na Petrobras, as ações preferenciais (PETR4) avançaram acompanhando a valorização do petróleo no exterior, enquanto as ordinárias (PETR3) encerraram entre as poucas quedas.
No mercado internacional, o Brent subiu 0,13%, a US$ 71,76 por barril, enquanto o WTI avançou 0,06%, a US$ 66,39. Na semana, os contratos acumularam ganhos superiores a 5%.
A maior alta do dia foi registrada pela Vamos (VAMO3), enquanto a Raízen (RAIZ4) e Hapvida (HAPV3) lideraram as perdas.
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