Bactéria de 100 milhões de anos pode ser arma contra pragas e doenças
Pragas em plantações e mosquitos transmissores de doenças são alguns dos males que assombram a humanidade há séculos. A boa notícia é que avanços científicos recentes indicam que uma bactéria milenar pode transformar essa realidade.
O micróbio do gênero Streptomyces produzem uma classe inédita de toxinas capazes de eliminar insetos com alta eficiência e seletividade. A descoberta foi publicada na revista Nature, um dos principais periódicos científicos do mundo, na última quinta-feira, 30 de abril.
As moléculas, chamadas de SAIPs, demonstraram toxicidade para células de insetos e baixa atividade em células humanas e de outros mamíferos.
Essas toxinas pertencem a uma linhagem bacteriana que surgiu há mais de 100 milhões de anos. Análises evolutivas indicam que o grupo foi mantido ao longo do tempo sob forte seleção natural.
O mecanismo de ação envolve a entrada da toxina nas células de insetos por meio de uma proteína de membrana chamada Flower. Sem esse receptor, a toxina não consegue atuar, o que explica a seletividade observada. Os experimentos mostraram que as SAIPs são letais para células e também para organismos vivos, como insetos.
Como funciona a toxina ancestral?
As SAIPs atuam por meio de um mecanismo chamado ADP ribosilação, que bloqueia funções celulares essenciais, como o fator de elongação eEF2, responsável pela produção de proteínas nas células. Ao inibir esse processo, a toxina impede o funcionamento celular e leva à morte dos insetos.
A seletividade ocorre porque a ligação depende do receptor Flower, identificado por meio de edição genética com a técnica CRISPR.
Aplicações potenciais
A descoberta abre caminho para o desenvolvimento de inseticidas seletivos para a agricultura. O uso dessas toxinas pode permitir o controle de pragas sem impacto direto sobre humanos.
Outra possibilidade é o combate a vetores de doenças, como mosquitos transmissores. O estudo também aponta potencial para aplicações biomédicas, ainda em fase inicial de investigação.
Os pesquisadores registraram patente e iniciaram testes em organismos mais complexos, como larvas e grilos, para avaliar eficácia e segurança em condições próximas ao ambiente real.
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