Bahia é laboratório do primeiro empréstimo ESG da história da agência japonesa JICA
A Bahia foi escolhida para sediar um experimento inédito no mercado global de finanças sustentáveis.
A Agência de Cooperação Internacional do Japão (JICA) assinou seu primeiro empréstimo vinculado a metas ESG em toda a sua história e o destinatário é a Neoenergia Coelba, distribuidora de energia elétrica que atende 6,9 milhões de clientes no maior estado do Nordeste.
No Brasil, o grupo espanhol conta com um portfólio de geração 87% renovável.
O contrato, no valor de R$ 764 milhões, é um Sustainability-Linked Loan (SLL), uma modalidade de crédito em que a taxa de juros varia conforme a empresa cumpre ou não compromissos de sustentabilidade previamente acordados.
A operação está alinhada a uma iniciativa lançada na COP30 em Belém voltada a promover investimentos da agência japonesa em mudanças climáticas, energias renováveis, eficiência energética e biodiversidade. Embora a JICA atue há décadas, é a primeira vez que estrutura um instrumento financeiro desse tipo no mundo.
Na prática, a Neoenergia Coelba paga menos se atingir os compromissos e vice-versa. O mecanismo transforma o financiamento em um instrumento de pressão real sobre o desempenho da companhia de energia, diferentemente de um simples empréstimo verde, em que o dinheiro precisa ir para um projeto específico.
Segundo a companhia, o contrato tem duas frentes: a digitalização da rede de distribuição de energia e o aumento da participação de engenheiras eletricistas nas operações da Coelba, com a inclusão de uma métrica de gênero atrealada aos juros.
O acordo inaugura também uma parceria inédita entre a JICA e o MUFG Bank, banco privado japonês, que em julho de 2025 criaram um mecanismo conjunto para estruturar empréstimos vinculados a metas de sustentabilidade. A operação com a Neoenergia Coelba é sua estreia global.
Os recursos serão aplicados entre 2026 e 2027 na modernização da rede de distribuição da Coelba , com foco na redução de perdas técnicas, aumento da eficiência energética e melhoria na estabilidade do fornecimento.
Uma rede mais digitalizada também tem maior capacidade de integrar fontes renováveis, relevante em uma região onde solar e eólica já dominam a matriz energética.
Para Eduardo Capelastegui, CEO da Neoenergia, ter sido escolhida para acessar o financiamento com metas ESG evidencia a consistência da estratégia do negócio.
"Temos um compromisso estrutural com a transição energética, ao mesmo tempo em que viabilizamos investimentos relevantes na infraestrutura elétrica da Bahia", afirmou.
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