Balança comercial, indústria e Livro Bege do Fed: o que move os mercados
Após a recuperação do Ibovespa no pregão anterior, quando o índice voltou ao patamar dos 174 mil pontos impulsionado por ações de commodities e bancos, os investidores começam esta quarta-feira, 3, com atenção voltada para uma agenda carregada de indicadores econômicos no Brasil e no exterior. Dados de atividade, emprego, indústria, inflação ao produtor e mercado de trabalho devem ajudar a calibrar as expectativas para juros e crescimento nas principais economias.
No Brasil, o principal destaque da manhã será a divulgação da produção industrial de abril pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatistica (IBGE), às 9h. Em março, o indicador registrou alta de 0,1% na comparação mensal. O dado será acompanhado de perto pelos investidores em busca de sinais sobre o ritmo da atividade econômica doméstica e seus possíveis reflexos sobre a política monetária.
Ainda no mercado brasileiro, às 10h, a S&P Global divulga os índices PMI composto e de serviços de maio. Na leitura anterior, os indicadores marcaram 52,4 pontos e 52,3 pontos, respectivamente, permanecendo acima da linha de 50 pontos que separa expansão de contração da atividade.
Ao longo da tarde, o Banco Central concentra as atenções com a divulgação, às 14h30, do fluxo cambial referente à semana anterior, do Índice de Commodities Brasil (IC-Br) de maio e da Pesquisa de Estabilidade Financeira (PEF).
O IC-Br é acompanhado pelo mercado por medir o comportamento dos preços das principais commodities relevantes para a economia brasileira e seus impactos sobre a inflação. Em abril, o índice havia recuado 0,63%.
Também às 15h, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) publica o resultado da balança comercial de maio. Em abril, o superávit comercial foi de US$ 10,537 bilhões.
O que acompanhar no exterior
No exterior, o foco estará concentrado nos Estados Unidos. Antes da abertura dos mercados, às 9h15, será divulgado o relatório ADP de criação de vagas no setor privado referente a maio. O indicador é tradicionalmente utilizado como uma prévia do relatório oficial de emprego e pode influenciar as expectativas para os próximos passos do Federal Reserve. Em abril, foram criadas 109 mil vagas.
Mais tarde, às 11h, sai o índice ISM de serviços de maio, um dos principais termômetros da atividade econômica americana. O indicador marcou 53,6 pontos em abril.
Ainda nos EUA, investidores acompanham às 11h30 os dados semanais de estoques de petróleo bruto divulgados pelo Departamento de Energia (DoE), relevantes para os mercados de commodities e para as ações do setor de energia. Na semana anterior, os estoques haviam recuado 3,327 milhões de barris.
A agenda americana se completa com a divulgação do Livro Bege do Federal Reserve, às 15h. O documento reúne avaliações qualitativas sobre a atividade econômica nas diferentes regiões dos Estados Unidos e costuma ser analisado pelo mercado em busca de pistas sobre a trajetória dos juros.
Também estão previstos discursos de dirigentes do banco central americano, incluindo Michael Barr, às 10h, e Lorie Logan, presidente do Fed de Dallas, às 17h.
Na Europa, os investidores monitoram uma série de índices PMI de serviços e compostos referentes a maio na França, Alemanha, Zona do Euro e Reino Unido. Além dos indicadores de atividade, a Zona do Euro divulga às 6h o índice de preços ao produtor (PPI) de abril, dado importante para avaliar as pressões inflacionárias na região.
Agenda política e corporativa
Entre as autoridades brasileiras, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, participa entre 5h30 e 6h de um painel do XIV Fórum de Lisboa, em evento com transmissão aberta ao público. O mercado acompanhará eventuais sinalizações sobre o cenário econômico e monetário.
Em Brasília, às 1oh, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) realiza reunião ministerial.
No campo corporativo, termina nesta quarta o prazo para apresentação de propostas dos candidatos a acionista de referência da Copasa, companhia de saneamento de Minas Gerais. O processo prevê preço mínimo de R$ 47,23 por ação.
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