Bancos privados da bolsa têm primeira queda de lucro em dois anos
Os quatro maiores bancos privados listados na B3 começaram 2026 com um desempenho mais fraco na comparação trimestral.
Dados compilados pela Elos Ayta apontam que Banco Bradesco, BTG Pactual (do mesmo grupo de controle da EXAME), Itaú Unibanco e Santander registraram lucro líquido combinado de R$ 25,263 bilhões entre janeiro e março de 2026, cifra 5,83% menor que os R$ 26,828 bilhões obtidos no trimestre anterior.
O resultado marca a primeira queda após oito trimestres seguidos de expansão dos lucros. Também foi o recuo mais intenso desde o fim de 2023, quando os ganhos consolidados dos bancos haviam encolhido 9,78% na comparação trimestral.
Mas, mesmo com a desaceleração, o setor segue operando em níveis elevados de rentabilidade. O desempenho foi sustentado principalmente pelos resultados do Itaú Unibanco, que manteve lucro recorde, e pela continuidade do avanço do BTG Pactual.
“A desaceleração observada no início de 2026 não altera o quadro estrutural de elevada rentabilidade do setor bancário brasileiro, mas evidencia uma crescente concentração dos resultados em instituições com maior eficiência operacional e modelos de negócios mais diversificados”, diz Einar Rivero, da Elos Ayta.
Lupa nos bancos
O Itaú encerrou o primeiro trimestre com lucro líquido de R$ 11,938 bilhões, repetindo exatamente o resultado registrado no fim de 2025. O valor segue como o maior lucro trimestral já reportado por um banco listado na B3.
Já o BTG Pactual foi o único entre os grandes bancos privados a apresentar crescimento no período. O lucro subiu 4,08%, passando de R$ 4,391 bilhões para R$ 4,570 bilhões entre um trimestre e outro. Somados, Itaú e BTG concentraram 65,3% de todo o lucro apurado pelos quatro maiores bancos privados no primeiro trimestre.
Na outra ponta, o Bradesco registrou a maior retração entre os pares. O lucro caiu 22,3%, saindo de R$ 6,476 bilhões no quarto trimestre de 2025 para R$ 5,030 bilhões nos três primeiros meses deste ano.
O Santander também apresentou piora no período. O banco teve lucro de R$ 3,725 bilhões, queda de 7,4% em relação aos R$ 4,023 bilhões registrados no trimestre imediatamente anterior.
Quando o Banco do Brasil é incluído na amostra, o lucro consolidado dos cinco maiores bancos da bolsa brasileira cai ainda mais. Nesse cenário, o resultado conjunto somou R$ 28,353 bilhões no primeiro trimestre, baixa de 10,8% frente aos R$ 31,800 bilhões do fim de 2025.
O Banco do Brasil lucrou R$ 3,090 bilhões no período, valor 37,9% inferior ao do trimestre anterior. Na comparação anual, a retração chega a 54,4% em relação ao primeiro trimestre de 2025.
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