BC reforça 'cautela' e divide economistas sobre ciclo de cortes da Selic
No comunicado que sagramentou o corte de 0,25 ponto percentual da taxa de juros, para 14,50% ao ano, o Comitê de Política Monetária (Copom) reforçou a necessidade de "cautela" e não deu sinalização clara sobre os próximos passos.
Com isso, economistas consultados pela EXAME estão divididos entre a continuidade ou a pausa no ciclo de cortes de juros.
Os diretores do Banco Central (BC) afirmaram que a decisão é compatível com a estratégia de convergência da inflação para o redor da meta da inflação, porém, alertaram que a incerteza gerada pela guerra entre Irã, Estados Unidos e Israel exige serenidade.
A análise da Warren Consultoria coloca o tom do comunicado como entre neutro e hawkish, um movimento de elevação das taxas de juros, ou seja, de aperto monetário.
"Embora o Copom continue com a 'sequência' do ciclo de calibração, o uso da palavra 'extensão' no comunicado sugere uma reavaliação do ritmo dos cortes, o que indica que os ajustes podem ser mais moderados daqui para frente", disse.
A Warren também enfatiza que a piora das expectativas de inflação e o aumento nas projeções para o horizonte relevante (de 3,3% para 3,5%) reforçam um cenário de incerteza.
"A combinação desses fatores, incluindo o risco de efeitos secundários nos preços de energia, sugere que o Copom está se preparando para uma possível pausa no ciclo de cortes", afirma.
O economista Rafael Cardoso, do banco Daycoval destacou que embora um novo corte de 0,25 ponto ainda seja o cenário base para a próxima reunião, o fato novo na comunicação do Banco Central de hoje é justamente essa sinalização de que uma pausa do ciclo nas próximas reuniões não está descartada.
"Quando olhamos tudo isso em conjunto, uma inflação, corrente pior, expectativa pior, projeção pior, um risco de efeitos secundários no balanço de riscos colocado e essa discussão de extensão, o que nos parece é que o Banco Central tem colocado à mesa a possibilidade de pausa em algum momento nas próximas reuniões", afirmou.
Continuidade cautelosa e comunicado dovish
O economista Jorge Ferreira dos Santos Filho, professor do curso de Administração da ESPM, vê a decisão do Copom como um movimento de continuidade, porém, de forma cautelosa.
"Essa decisão precisa ser lida menos como uma aceleração do ciclo de queda e mais como movimento de continuidade, mas uma continuidade cautelosa", afirmou.
Segundo Jorge, o Banco Central ainda tem espaço para flexibilização monetária, mas o cenário inflacionário permanece desconfortável e a incerteza externa, com o impacto dos preços do petróleo e as tensões geopolíticas, exige cautela.
"O Copom está adiante de uma inflação que não pode ser plenamente controlada, uma inflação de oferta por conta da alta do custo da energia", disse.
Na mesma linha, Carlos Lopes, economista do banco BV, vê a decisão como mais "dovish", indicando que o ciclo de cortes seguirá de forma gradual, mas com uma continuidade nas próximas reuniões.
"O Banco Central entende o choque atual como temporário e, dado o alto nível de juros, ainda tem bastante espaço para fazer essa calibração", afirmou.
Lopes também observa que, ao sinalizar que o ajuste deve continuar, ainda que de forma mais moderada, o Banco Central optou por não reduzir as expectativas de que o ciclo de cortes prossegue nas próximas reuniões.
"Acredito que o Banco Central está confortável em seguir com os cortes de 25 pontos por reunião até o final do terceiro trimestre, antes de possivelmente acelerar para 50 pontos e encerrar o ano em 12,5%", completou.
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