Beber café todos os dias pode desacelerar o envelhecimento, aponta estudo
Café e cafeína podem estar associados a um envelhecimento cerebral mais lento e a um menor risco de demência, segundo um estudo publicado nesta semana no JAMA. A pesquisa analisou dados de longo prazo sobre consumo de café e chá e sua relação com a saúde cognitiva ao longo de décadas.
Os resultados indicam que a ingestão moderada de cafeína — principalmente por meio do café e do chá — está associada a uma redução na taxa de declínio cognitivo e a uma menor probabilidade de desenvolver demência. No entanto, os pesquisadores ressaltam que o estudo mostra apenas uma associação e não prova uma relação direta de causa e efeito.
A análise foi conduzida por cientistas liderados pelo epidemiologista Yu Zhang, da Universidade de Harvard. Para a pesquisa, foram utilizados dados de dois grandes estudos de saúde nos Estados Unidos que acompanharam mais de 130 mil profissionais de saúde por até 43 anos.
Quanto de café pode beneficiar o cérebro?
Os participantes informaram regularmente seus hábitos alimentares, incluindo o consumo de café e chá. Eles também responderam a questionários sobre memória e desempenho cognitivo e realizaram testes que avaliavam funções relacionadas ao raciocínio e à lembrança de informações.
Os resultados indicaram que o consumo moderado de cafeína, equivalente a cerca de duas a três xícaras de café ou uma a duas xícaras de chá por dia, esteve associado aos menores níveis de declínio cognitivo e a um risco reduzido de demência.
Mesmo entre pessoas com consumo mais elevado de cafeína, os pesquisadores observaram associação com benefícios cognitivos. Participantes que ingeriam até cinco xícaras de café por dia apresentaram risco de demência cerca de 18% menor em comparação com aqueles que consumiam pouca ou nenhuma cafeína.
Outro ponto observado pelos cientistas foi que os efeitos não apareceram entre pessoas que consumiam café descafeinado, o que sugere que a cafeína pode ter papel importante nos resultados observados.
Pessoas com risco genético
Os pesquisadores também analisaram participantes com a variante genética APOE4, conhecida por aumentar o risco de desenvolver doença de Alzheimer. Mesmo nesse grupo, o consumo de cafeína permaneceu associado a menor declínio cognitivo.
Especialistas destacam que os resultados são relevantes, mas devem ser interpretados com cautela. Como se trata de um estudo observacional, não é possível afirmar que o consumo de café ou chá seja diretamente responsável pela redução do risco de demência.
Os autores também ressaltam que outros fatores de estilo de vida — como alimentação, atividade física e condições de saúde — podem influenciar os resultados.
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