Beto Carrero adota escala 4x2 e quer dobrar equipe: 'Esse é o futuro', diz CEO
A disponibilidade de mão de obra qualificada ainda é considerada o principal desafio do setor de parques e atrações turísticas, segundo o Panorama Setorial – Parques, Atrações Turísticas e Entretenimento no Brasil, realizado pelo Sistema Integrado de Parques e Atrações Turísticas (Sindepat) e pela Associação Brasileira de Parques e Atrações (Adibra).
Segundo o parque, equipes mais descansadas ajudaram a elevar a qualidade do atendimento e reduzir reclamações dos visitantes (Divulgação)
A adoção da nova escala começou em 2024 e exigiu um aumento de cerca de um terço no número de funcionários por área, mas vem trazendo benefícios operacionais.
“Isso acaba sendo um diferencial importante em disputas por mão de obra, especialmente nas áreas de atendimento e operação, percebemos que muitas pessoas preferem trabalhar no Beto Carrero pelos benefícios oferecidos”, diz o CEO Alex Murad.
A mudança reflete nos visitantes, que tem uma recepção mais acolhedora dos funcionários, diz o parqueiro. Com atendimento eficiente somado aos novos investimentos do parque, o Beto Carrero espera receber 6 milhões de visitantes anuais em quatro anos.
Como funciona a escala 4x2
A escala 4x2 prevê quatro dias consecutivos de trabalho seguidos por dois dias de folga, em um modelo de revezamento contínuo. Diferente da escala 5x2, que segue a lógica da semana tradicional, o formato 4x2 opera em ciclos independentes do calendário semanal, permitindo que as folgas aconteçam em dias variados ao longo do mês.
O revezamento contínuo desta escala permite manter equipes em operação todos os dias da semana — característica importante para atividades como a do parque, que funciona diariamente.
Assim, em 2024, o parque passou a adotar a escala 4x2. Segundo o CEO, a principal mudança é um incremento de 25% a 35% na folha de pagamentos. A jornada de trabalho diária se manteve em oito horas.
Na prática, as equipes foram estruturadas em três grupos: enquanto dois atuam, um permanece em descanso. Os dias de folga variam a cada ciclo.
“Começamos o modelo de forma gradual nas áreas de frente, como operação de brinquedos e atendimento. Os benefícios foram tão claros que expandimos para alimentos, bebidas e varejo”, afirma Murad.
Atração e recepção dos visitantes
Murad conta que os principais benefícios aparecem na qualidade de vida e na experiência do atendimento – o que diminui o turnover e torna a empresa mais atrativa para novos funcionários, especialmente entre a geração mais nova.
“Percebemos que a nova geração busca mais equilíbrio entre vida pessoal e trabalho. Não é uma questão de falta de vontade de trabalhar, mas de enxergar o trabalho de uma forma diferente, com mais flexibilidade e qualidade de vida”, diz. “Esse é o futuro, veio para ficar”, afirma.
A avaliação interna é de que funcionários com mais tempo de recuperação conseguem lidar melhor com a rotina intensa de interação com o público, mantendo maior atenção, disposição e qualidade no atendimento ao longo do dia.
Murad ainda acredita que uma escala mais flexível retorna para o setor – já que os colaboradores terão mais dias livres e disposição para passear e consumir. “As pessoas com mais tempo livre vão usar esse tempo para viajar, frequentar parques temáticos, museus e outros passeios.”
Além da adoção da escala 4x2, o parque espera oferecer possibilidades de escala de trabalho de seis horas para os funcionários que preferirem essa opção. A ideia, segundo a empresa, é criar modelos mais flexíveis, adaptados a diferentes perfis de trabalhadores, incluindo pessoas da terceira idade que desejam atuar em jornadas reduzidas, por exemplo.
“A nossa intenção é ter um portfólio para que a pessoa possa escolher o que faz mais sentido para a vida dela. Tem gente que quer trabalhar seis horas, outras preferem jornadas maiores. O importante é que o colaborador esteja motivado e consiga administrar melhor o próprio tempo”, diz o CEO.
Dobrar a equipe
Neste ano, o Beto Carrero anunciou um investimento de R$ 2 bilhões em novas atrações temáticas, como Galinha Pintadinha e Bob Esponja, e a entrada no ramo de hotelaria.
O investimento acontece no ano em que o Beto Carrero World comemora 35 anos e tem o objetivo de dobrar o número de visitantes em quatro anos, que em 2025 fechou em 2,9 milhões.
Embora o parque ocupe um terreno de 14 milhões de metros quadrados, apenas cerca de 10% da área é utilizada atualmente. Com o novo ciclo de expansão, parte do espaço disponível receberá três torres hoteleiras, cada uma com 200 apartamentos, além das áreas temáticas.
A escala reduzida, além de antecipar a discussão sobre o fim da 6x1, que ainda está em aprovação, também servirá como uma forma de atrair novos talentos neste momento de expansão.
O parque ainda aposta em planos de carreira e incentivos à formação profissional para reter funcionários durante o ciclo de expansão. Segundo Murad, colaboradores podem crescer internamente e receber apoio para cursos e estudos relacionados às atividades da empresa.
“Com as novidades instaladas e finalizadas, vamos praticamente dobrar o número de funcionários. Eu preciso que as pessoas estejam loucas para trabalhar com a gente”, diz Murad.
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