BID projeta US$ 200 bilhões em financiamentos na próxima década
O Grupo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) encerrou no sábado suas reuniões anuais no Paraguai com uma agenda voltada a ampliar a escala das operações e aumentar a participação do setor privado no financiamento do desenvolvimento na América Latina e no Caribe.
Na sessão final da assembleia de governadores, o presidente do grupo, Ilan Goldfajn, destacou a conclusão da capitalização de US$ 3,5 bilhões do BID Invest, braço da instituição voltado ao financiamento de empresas.
O reforço de capital foi um dos principais anúncios do encontro e amplia a capacidade operacional da instituição para os próximos anos.
Em entrevista à agência EFE, o gerente-geral do BID Invest, James Scriven, afirmou que a nova estrutura permitirá mais do que dobrar o volume de operações em relação à primeira década de atuação da instituição.
Segundo ele, o braço privado do banco mobilizou cerca de US$ 75 bilhões em financiamentos nos primeiros dez anos e agora projeta alcançar aproximadamente US$ 200 bilhões ao longo da próxima década.
Scriven também destacou que a reorganização recente da instituição incluiu mudanças na equipe de liderança, com a contratação de profissionais vindos do mercado financeiro para ampliar a capacidade de execução do banco.
A avaliação é que a entrada de executivos com experiência em bancos e mercado de capitais ajuda a dar mais escala às operações do BID Invest.
Novos instrumentos financeiros
Ainda segundo Scriven, o BID Invest trabalha no desenvolvimento de dois novos produtos financeiros que devem ser apresentados nas reuniões anuais de 2027, previstas para ocorrer na Guatemala.
Um deles será voltado ao financiamento em moeda local. O outro deve ampliar os investimentos diretos de capital em empresas da região.
Durante o encontro, Goldfajn também afirmou à EFE que o Paraguai tem apresentado um desempenho macroeconômico consistente nos últimos anos, apontando o país como exemplo de crescimento na região com participação relevante do setor empresarial.
Ele também mencionou projetos apoiados pelo banco no país, entre eles um programa de até US$ 165 milhões para a Paracel, empresa de celulose e gestão florestal, e o financiamento de um projeto da Atome voltado à produção e exportação de fertilizantes a partir de hidrogênio verde.
As reuniões também marcaram a apresentação do Procure+, reforma do sistema de aquisições das operações financiadas pelo BID.
Segundo Goldfajn, os países membros solicitaram mudanças que ampliem a participação de empresas nos processos de licitação, aumentando a competitividade.
O novo sistema também busca elevar a transparência dos contratos, permitindo identificar o beneficiário final das empresas envolvidas e reduzir potenciais conflitos de interesse nas operações financiadas pelo banco.
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