Bitcoin atinge 20 milhões de unidades mineradas e se aproxima de limite de 21 milhões
Nesta segunda-feira, 9, o bitcoin atingiu o marco de 20 milhões de unidades mineradas. Isso significa que há em circulação uma boa parte das unidades disponíveis da primeira e maior criptomoeda do mundo. Isso porque, desde seu lançamento, o bitcoin foi idealizado para ter um limite de 21 milhões de unidades.
Essa regra foi inserida no código de programação do bitcoin na rede blockchain de mesmo nome onde funciona o processo de mineração, que significa a emissão de novas moedas. Dessa forma, a criptomoeda possui uma escassez programada, já que, uma vez atingidos os 21 milhões, será impossível emitir novos bitcoins.
Este é um dos fatores citados por especialistas para classificar o bitcoin como um possível “ouro digital”, considerando a semelhança de escassez entre os dois ativos.
“Esse marco reforça um dos pilares centrais da tese de valor do Bitcoin: sua escassez programada. Diferente de ativos tradicionais, cuja oferta pode ser expandida por decisões de política monetária, a emissão do bitcoin é definida por código e segue uma trajetória previsível e decrescente ao longo do tempo”, disse Matheus Parizotto, analista chefe de research da Mynt, plataforma cripto do BTG Pactual.
“Na prática, isso cria uma dinâmica estrutural de redução de oferta nova, justamente em um momento em que a demanda institucional vem crescendo, com ETFs, empresas e outros veículos financeiros absorvendo parcela relevante das moedas em circulação. Quanto menor o ritmo de emissão, maior tende a ser a sensibilidade do preço a essas mudanças na demanda”, acrescentou o especialista em entrevista à EXAME.
“Por isso, marcos como esse reforçam o posicionamento do bitcoin como um ativo escasso no sistema financeiro global, frequentemente comparado ao ouro digital, e ajudam a explicar por que muitos investidores continuam olhando para o ativo com horizonte de longo prazo”, concluiu.
Matheus Parizotto ressaltou que o limite de 21 milhões de unidades do bitcoin pode ser atingido somente daqui a aproximadamente 100 anos, já que o sistema possui um ritmo controlado de mineração de novas unidades. Chamado de Halving, um corte pela metade nas recompensas por bloco minerado na rede é feito uma vez a cada quatro anos.
Já Fabrício Tota, vice-presidente de negócios cripto do Mercado Bitcoin, disse à EXAME que o marco de 20 milhões de unidades mineradas do bitcoin é “mais psicológico do que técnico”:
“A rede não muda de regra por causa desse número, ela continua funcionando do mesmo jeito. Mas ele é um lembrete poderoso de algo bem objetivo: o Bitcoin está ficando “sem estoque novo”. A partir desse ponto, sobra menos de 1 milhão de bitcoins para serem minerados dentro do universo total de 21 milhões. É a escassez programada ficando ainda mais perceptível”, disse Fabrício Tota.
“Isso tem consequência econômica e comportamental: cada ciclo torna mais difícil acumular posições relevantes, porque a oferta nova vai encolhendo e a disputa pelas moedas aumenta. A meta de virar um “wholecoiner”, o nome que se dá a quem tem um bitcoin inteiro, vai ficando mais rara e mais cara com o tempo. A pergunta que eu deixo é simples: você já começou a comprar, ou vai deixar para desejar ter 1 BTC quando ele estiver ainda mais difícil de alcançar?”, questionou o especialista.
Como funciona a mineração de bitcoin?
À EXAME, Fabrício Tota esclareceu como funciona o processo de mineração do bitcoin e porque o sistema possui um limite de unidades:
“A mineração é o processo que mantém o Bitcoin funcionando sem um dono ou uma central controlando o sistema. Pense na mineração como a combinação de três coisas: segurança, contabilidade pública e recompensas.
Por que isso leva ao limite de 21 milhões? Porque a emissão de novos bitcoins segue uma regra fixa desde o começo: a recompensa diminui pela metade a cada quatro anos, um processo chamado halving. Com isso, a criação de novas moedas vai desacelerando até chegar a zero. Esse desenho faz o Bitcoin ter uma escassez programada: a quantidade máxima é conhecida e limitada desde o nascimento do protocolo.
No fim, a mineração é como ‘cunhar’ moedas em uma casa da moeda global e neutra, automatizada, com regras públicas e um mandato matemático para emitir, no total, 21 milhões de unidades”, disse.
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