Fluxo gringo na B3 diminui em fevereiro, mas soma R$ 42,5 bilhões no ano

Por Clara Assunção 5 de Março de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Fluxo gringo na B3 diminui em fevereiro, mas soma R$ 42,5 bilhões no ano

Após uma sequência de cinco recordes em fevereiro no Ibovespa, o mês terminou com tamanho de uma "empresa inteira" comprada na bolsa brasileira. Segundo levantamento da consultoria Elos Ayta, só no segundo mês deste ano, o investidor estrangeiro injetou R$ 16,09 bilhões na B3, valor praticamente equivalente ao valor de mercado da Comgás, estimado em cerca de R$ 16,17 bilhões.

O volume de fevereiro aconteceu já após um janeiro histórico, quando a entrada líquida do fluxo gringo somou R$ 26,47 bilhões, montante próximo ao valor de mercado da Klabin, avaliada ao redor de R$ 24,4 bilhões.

Somados, os dois meses elevaram 2026 para o melhor ano desde 2022. Ao todo no ano, R$ 42,56 bilhões de fluxo estrangeiro foram aportados até o mês passado, considerando Oferta Pública Inicial (IPOs) e ofertas subsequentes de ações (follow-ons).

Segundo a Elos Ayta, o valor de capital estrangeiro que entrou na bolsa brasileira equivale praticamente ao valor de mercado da Raia Drogasil, hoje ao redor de R$ 41,8 bilhões.

Além do marco simbólico, o montante de apenas dois meses já supera em 58% todo o fluxo registrado em 2025, quando o ano fechou com entrada líquida de R$ 26,87 bilhões.

Já na comparação com 2022, o relatório da consultoria indica que o primeiro mês deste ano foi o maior fluxo mensal desde o mesmo período de quatro anos atrás, considerando ofertas primárias e subsequentes. O mês de fevereiro também aparece como o oitavo melhor mês do período.

O desempenho dos dois primeiros meses deste ano também é significativo com a exclução dos IPOs e follow-ons. O saldo acumulado até fevereiro fica em R$ 42,41 bilhões, muito próximo de todo o fluxo de 2023, que terminou em R$ 44,85 bilhões. Nessa métrica, 2022 segue como recordista absoluto desde 2016, com R$ 100,82 bilhões.

Estrangeiro muda leitura sobre risco Brasil

A consultoria destaca, contudo, que o dado mais relevante dos últimos oito anos, é a velocidade de reversão do fluxo estrangeiro na B3. O estudo lembra que entre 2018 e 2020, os gringos retiraram fortemente seu capital da bolsa brasileira, um recuo de R$ 39,66 bilhões. Já entre 2021 e 2023, houve uma retomada, com pico no segundo ano, e entrada de R$ 119,79 bilhões com oferta.

No entanto, em 2024, houve uma "inflexão negativa", com saída de mais de R$ 24 bilhões, considerando as ofertas.

"Após um 2024 negativo, o fluxo volta em 2025 e acelera significativamente em 2026. Esse padrão sugere não apenas ajuste tático, mas possível reprecificação estrutural de risco Brasil", diz um trecho do levantamento.

Em fevereiro, os estrangeiros movimentaram R$ 401,6 bilhões em compras e R$ 385,5 bilhões em vendas, resultando no saldo líquido positivo de R$ 16,09 bilhões.

Embora os volumes tenham ficado abaixo dos de janeiro — quando as compras somaram R$ 421,4 bilhões — o recuo se explica em parte pelo menor número de pregões por causa do Carnaval.

Na comparação anual, a expansão é expressiva: as compras cresceram 38,8% frente a fevereiro de 2025, enquanto as vendas avançaram 33,5%. Isso explica também o fato de que o índice ter renovado suas máximas históricas em oito ocasiões em janeiro e, mais cinco vezes, em fevereiro.

Em dois meses, o Ibovespa já totaliza 13 quebras de recordes contra 32 ao longo de todo 2025. Em percentual, apenas em fevereiro, a referência acionária subiu 4,09% e acumulava alta de até 17,17% no ano até o último dia útil do mês passado.

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