Bitcoin se estabiliza nos US$ 58 mil após cair 33% no 1º semestre

Por Ricardo Bomfim 1 de Julho de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Bitcoin se estabiliza nos US$ 58 mil após cair 33% no 1º semestre

O bitcoin opera em leve alta nesta quarta-feira, 1, estabilizando-se no nível de US$ 58 mil após acumular uma desvalorização de 33,1% no primeiro semestre de 2026.

Só no mês de junho, a queda da maior das criptomoedas foi de 20,4%. O desempenho negativo foi potencializado por uma saída recorde de capital nos fundos negociados em bolsa (ETFs, na sigla em inglês) de bitcoin à vista que operam nas bolsas dos Estados Unidos.

Às 10h08 (horário de Brasília) o bitcoin tinha leve variação positiva de 0,1% em um período de 24 horas, a US$ 58.599 por unidade.

Segundo Gil Herrera, diretor de estratégia e operações da corretora Bitget na América Latina, apesar dos fluxos negativos de capital no mercado de criptomoedas há vários indicadores apontando para uma recuperação.

“O open interest [número total de contratos de derivativos que ainda estão ativos e não foram liquidados no mercado] permanece elevado, as taxas de financiamento voltaram ao campo positivo, o posicionamento no mercado de opções segue construtivo e os dados on-chain continuam mostrando acumulação por grandes investidores, além de baixos níveis de reservas de bitcoin nas exchanges”, cita Herrera.

Para ele, as condições de liquidez devem continuar sendo o principal fator para o desempenho dos diferentes mercados ao longo do segundo semestre. Destaque para os próximos movimentos da política de juros nos EUA pelo Federal Reserve (Fed), inflação e fluxo de capital nos ETFs.

“A retomada dos fluxos institucionais e uma melhora nas condições de liquidez podem oferecer suporte aos preços, enquanto juros elevados e a continuidade das saídas dos ETFs permanecem como os principais riscos a serem monitorados.”

Saída recorde de ETFs

O mês passado foi marcado por uma onda recorde de saques de dinheiro dos ETFs de bitcoin à vista. No acumulado de junho, US$ 4,51 bilhões foram retirados desses fundos, no maior fluxo negativo mensal desde que eles foram lançados, em janeiro de 2024.

Saída recorde dos ETFs de bitcoin (crédito: SoSo Value e BTG Pactual)

Só ontem foi registrada uma saída líquida de capital de US$ 222,6 milhões, no nono pregão consecutivo de fluxo negativo. O principal alvo dos saques foi o IBIT, da BlackRock, com US$ 212,4 milhões de excesso de vendas de cotas em relação às compras.

Os ETFs de ether também apresentaram o nono pregão seguido de retirada líquida de recursos. Na véspera, o fluxo foi negativo em US$ 27,6 milhões.

Entre os indicadores, o índice Fear & Greed (medo e ganância, na tradução literal) das criptomoedas se manteve nos 16 pontos, ainda na zona de “medo extremo”.

O Fear & Greed usa informações como momentum de preços, volatilidade e posições predominantes no mercado de derivativos para criar um score que vai de 0 a 100 pontos. Quanto mais próximo de zero maior é o medo dos investidores, ao passo que valores perto de 100 indicam predominância do otimismo e apetite por risco.

Macroeconomia

Nos dados macroeconômicos, hoje foi divulgado o Relatório de Emprego ADP, que revelou a criação de 98 mil vagas no setor privado dos EUA em junho. O número veio abaixo da mediana das expectativas dos economistas, que apontava para a geração de 118 mil empregos no período.

Indicadores abaixo do esperado do mercado de trabalho norte-americano geralmente são bem recebidos pelo mercado, pois reduzem a pressão inflacionária. Caso a inflação diminua na maior economia do mundo, o Fed pode ficar mais confortável para não elevar tanto a taxa de juros quanto se espera atualmente.

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