BNDES e Heineken investem R$ 10 mi em restauração de aquífero em Pernambuco

Por Letícia Ozório 26 de Fevereiro de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
BNDES e Heineken investem R$ 10 mi em restauração de aquífero em Pernambuco

Uma das principais reservas de água subterrânea do Nordeste está em risco — e um investimento de R$ 10 milhões tenta mudar esse cenário antes que seja tarde.

O BNDES e a fabricante de bebidas Grupo Heineken se uniram para financiar projetos de restauração florestal em 35 municípios de Pernambuco, na área de recarga do Aquífero Beberibe, responsável pelo abastecimento das regiões metropolitanas do Recife e de João Pessoa.

O trabalho acontece por meio de uma chamada pública, que está aberta até 6 de março e selecionará até três projetos de instituições sem fins lucrativos. As organizações, como associações civis, fundações privadas e cooperativas, devem ter pelo menos dois anos de atuação.

A iniciativa será gerenciada pelo Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (Funbio), com recursos viabilizados pela parceria com a Heineken.

A fabricante conta com polos produtivos na região do aquífero, incluindo a cervejaria de Igarassu, principal industrial da companhia na região Nordeste, que já recebeu mais de R$ 1,2 bilhão de investimento nos últimos anos.

Conheça o aquífero Beberibe

A região que recebe os investimentos, localizada na zona de transição entre a Mata Atlântica e Caatinga, é uma das principais reservas hídricas subterrâneas do Nordeste brasileiro. De acordo com a Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico, o aquífero é responsável por boa parcela do abastecimento das regiões metropolitanas do Recife, em Pernambuco, e de João Pessoa, na Paraíba.

A lógica é direta: sem floresta, menos água infiltra no solo; sem infiltração, o aquífero seca. Estudos encomendados pelo Grupo Heineken apontam que a região enfrenta níveis críticos de escassez hídrica. Mas além de proteger a água, o programa aposta numa nova economia para a região.

Tereza Campello, diretora socioambiental do BNDES, afirma que o edital faz parte do papel do Banco em fortalecer a segurança hídrica e a adaptação climática no país. "Proteger aquíferos é proteger o futuro das cidades e das pessoas. Ao investir na restauração da área de recarga do Aquífero Beberibe, fortalecemos a resiliência climática do Nordeste e garantimos serviços ecossistêmicos essenciais ao abastecimento", explica.

Empregos verdes na restauração florestal

De acordo com a diretora, o modelo de financiamento ambiental implica na criação de uma nova economia, baseada na sustentabilidade. A ideia é fortalecer cadeias produtivas da restauração, gerando empregos verdes, qualificação profissional e fomentando a renda local.

"Estamos estruturando uma economia da restauração, capaz de combinar conservação ambiental com dinamismo econômico", diz.

Breno Aguiar de Paula, gerente de sustentabilidade do Grupo Heineken, explica que a fabricante busca favorecer a infiltração da água no solo, reduzir a eroção e a contaminação dos rios da região — e que tudo isso passa pela restauração ambiental. "Em parceria com o BNDES e o Funbio, queremos contribuir para a melhoria da disponibilidade hídrica na região, ao mesmo tempo em que estruturamos a cadeia local da restauração, gerando renda e benefícios ambientais”, afirma o executivo

O edital integra o Floresta Viva, programa do BNDES voltado à restauração ecológica com espécies nativas e sistemas agroflorestais em diversos biomas. Desde sua criação, foram lançados 15 editais com 14 doadores distintos, apoiando 53 projetos em 17 estados, no Distrito Federal e em 128 municípios — com 8.649 hectares em restauração, 56 unidades de conservação e 13 terras indígenas, mobilizando cerca de R$ 425 milhões.

Em 2025, o programa evoluiu para o Floresta Viva 2, incorporando ferramentas para apuração de créditos de biodiversidade e ampliando os investimentos em capacitação de trabalhadores para empregos verdes.

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