BofA reduz recomendação para ações brasileiras e cita juros altos e volatilidade

Por Paulo Holland 11 de Junho de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
BofA reduz recomendação para ações brasileiras e cita juros altos e volatilidade

O Bank of America (BofA) reduziu a recomendação para as ações brasileiras de overweight (acima da média do mercado) para neutra. A instituição fundamentou a revisão nas pressões inflacionárias, no aumento da volatilidade eleitoral e na perspectiva de manutenção da taxa de juros em patamar elevado por um período prolongado. Na mesma revisão, o banco excluiu os papéis de Sabesp, Ecorodovias e Ânima de sua carteira recomendada.

A alteração nas projeções macroeconômicas motivou o ajuste na classificação dos ativos do país. Os analistas do banco apontam que as condições macroeconômicas locais apresentam indicadores que justificam uma postura de maior neutralidade em relação ao mercado de ações brasileiro.

O principal fator indicado para o rebaixamento é a estimativa de manutenção da taxa básica de juros em níveis elevados. O BofA alterou sua projeção para a taxa Selic ao final de 2026, elevando o percentual de 13,25% para 14,25% ao ano.

Sob este cenário, a equipe de estratégia projeta que o Banco Central do Brasil efetuará uma redução residual na taxa de juros na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) de junho, interrompendo o ciclo de flexibilização monetária na sequência.

A perspectiva de aperto monetário é atribuída aos riscos inflacionários. Conforme o relatório assinado por David Beker e equipe de estratégia, a trajetória de desvalorização do real frente ao dólar exerce pressão sobre os preços domésticos.

O documento pontua ainda que a volatilidade associada ao calendário eleitoral eleva o prêmio de risco dos ativos locais. Em decorrência do cenário de juros e câmbio pressionados, o banco projeta uma revisão expansionista menor ou negativa nas expectativas de lucros das empresas brasileiras.

Diante do cenário de juros elevados, o BofA identificou oportunidades seletivas no mercado local, manifestando preferência por instituições bancárias estruturadas para suportar cenários de crédito restritivo e que apresentem menor risco de oscilação nos lucros em ambientes de Selic elevada.

“Os riscos de inflação permanecem inclinados para cima em meio à fraqueza do real, enquanto a volatilidade eleitoral aumenta”, aponta David Beker, chefe de economia no Brasil e estratégia para América Latina do BofA, e equipe de estratégia no relatório.

Alocação de capital na América Latina

Em contrapartida à redução de exposição no Brasil, o banco elevou a recomendação para o Chile e para a Colômbia, manteve a classificação de overweight para a Argentina, determinou peso de mercado (marketweight) para o México e preservou posições residuais no Peru.

Na região andina, os estrategistas destacaram a existência de um calendário político intenso. No Peru, onde a apuração do segundo turno presidencial apresenta margem estreita, o banco manteve a exposição por meio da holding IFS, fundamentado nas condições macroeconômicas do país.

Na carteira da Colômbia, a instituição adicionou as ações do banco Davivienda, justificando a decisão pelo patamar de múltiplos descontados e pela evolução da rentabilidade. No Chile, foram incluídos os papéis da Andina, devido ao momento de lucros, e do BCI, em razão de margens resilientes e ganhos de eficiência. O relatório aponta que, embora os múltiplos chilenos estejam menos atrativos comparados a outros pares regionais, o ambiente macroeconômico local indica expansão do PIB amparada por reformas em andamento.

Para o México, o BofA estabeleceu uma recomendação neutra (marketweight) com viés de cautela. A equipe de análise elencou três fatores principais contra o desempenho dos ativos mexicanos: desaceleração no ritmo de crescimento do PIB, elevação do risco político e uma probabilidade calculada em 70% de o USMCA (Acordo Estados Unidos-México-Canadá) passar a adotar um cronograma de revisões anuais.

O relatório indica enfraquecimento no ritmo de lucros corporativos no México, com os analistas manifestando preferência por ativos do setor imobiliário (como Vesta e Funo) e empresas selecionadas do segmento de consumo (Sigma, Arca e KOF).

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