Boi gordo: produtores veem 2026 melhor mesmo com restrições da China
A pecuária de corte brasileira mantém uma perspectiva otimista para 2026, mesmo diante das incertezas envolvendo as cotas da China sobre as exportações. A expectativa positiva é sustentada principalmente pelo valor de venda do boi e pela estabilidade dos custos de produção. Esse é um dos resultados do Benchmarking Confinamento Probeef, da Cargill, estudo nacional do setor de confinamento de gado apresentado nesta quarta-feira, 6.
Segundo a pesquisa, 70,2% dos produtores esperam um ano melhor, enquanto 21,5% acreditam em estabilidade e apenas 6,3% projetam piora.
O principal motor desse otimismo está no preço da arroba, apontado como a maior oportunidade para este ano — a pesquisa de 2026, com base em dados de 2025, analisou 217 criadores de gado e 2,7 milhões de animais.
Em abril, o mercado do boi gordo registrou uma alta expressiva, puxada principalmente pelo avanço nos preços do dianteiro bovino, enquanto os cortes nobres tiveram reajustes mais limitados.
No primeiro dia útil de janeiro, o boi gordo em São Paulo era negociado a R$ 318,42 por arroba, enquanto o traseiro bovino estava em R$ 25,40 e o dianteiro em R$ 17,85. Já em 14 de abril, os preços subiram para R$ 369,78 por arroba, no caso do boi, R$ 28 para o traseiro e R$ 23 para o dianteiro.
O movimento representa uma alta de 16% para o boi gordo, 10,24% para o traseiro bovino e expressivos 28,85% para o dianteiro, mostram dados da Safras & Mercado.
“O cenário [otimista] combina valorização da arroba com custos ainda controlados, favorecendo a rentabilidade do confinamento”, diz Felipe Bortolotto, gerente de tecnologia para gado de corte da Cargill.
O levantamento mostra que o valor de venda é disparado o principal fator de oportunidade para 2026, citado por 62,86% dos entrevistados.
Em seguida aparecem custo de insumos (52,38%), gestão de risco na comercialização do gado (50,95%), recria na fazenda (45,71%) e desempenho zootécnico (36,19%). A leitura do setor é de que a combinação entre receita e controle de custos será decisiva para as margens.
“O produtor está mais otimista porque enxerga uma relação favorável entre preço de venda e custo de produção”, afirma Bortolotto, o que sustenta a decisão de investir e manter o ritmo do confinamento.
Exportações da China
Mesmo com incertezas em relação à China, o mercado internacional segue como pilar importante para 2026. O Brasil mantém competitividade, com uma das arrobas mais baratas em dólar, diz Bortolotto.
Em dezembro, o país asiático impôs tarifas adicionais de 55% sobre as importações de carne bovina de países como Brasil, Austrália e Estados Unidos, caso os embarques ultrapassem as cotas estabelecidas.
Segundo o Ministério do Comércio da China (MOFCOM), a cota total para 2026 será de 2,7 milhões de toneladas. O Brasil, principal fornecedor da proteína ao país asiático, ficou com a maior fatia: 41,1%, o equivalente a 1,1 milhão de toneladas.
“O país continua sendo uma opção atrativa para importadores, mesmo com mudanças pontuais na demanda”, afirmou o executivo.
Além disso, fatores como redução do rebanho global e abertura de novos mercados ajudam a sustentar a demanda. "O equilíbrio entre oferta global restrita e demanda aquecida reforça as perspectivas positivas", diz Bortolotto.
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