Bolsa americana deve avançar 16% mesmo com guerra no Irã, diz Barclays
O S&P 500 pode encerrar 2026 em 7.650 pontos, de acordo com o Barclays. A estimativa anterior era de 7.400. Isso representa um potencial de valorização superior a 16% em relação ao fechamento mais recente, mesmo em meio a riscos crescentes no cenário macroeconômico global.
A revisão reforça a leitura de que o desempenho das empresas, especialmente do setor de tecnologia, e a resiliência da economia dos Estados Unidos (EUA) tendem a sustentar o avanço do índice apesar do conflito no Oriente Médio aumentar incertezas, de acordo com dados consultados pela Reuters.
Em relatório divulgado pela Reuters, analistas do banco britânico elevaram a projeção de lucro por ação das companhias do índice para US$ 321 em 2026, ante US$ 305 anteriormente. A instituição destacou que o ajuste reflete uma base de resultados mais forte, e não uma reavaliação dos múltiplos de mercado.
Eles afirmaram ainda que a economia americana continua apresentando crescimento nominal superior ao de outras grandes economias, além de contar com um motor estrutural ligado à tecnologia, que segue sustentando a expansão dos resultados corporativos, em suas análises.
Por outro lado, o banco reconhece que o ambiente permanece pressionado por incertezas já que, desde o início da guerra envolvendo o Irã, o índice acumulou queda de cerca de 4,3%, impactado pela alta do petróleo e pela maior aversão ao risco.
O movimento levou investidores a migrarem parcialmente para ativos considerados mais seguros.
A escalada dos preços da energia reacendeu preocupações inflacionárias pelo globo, o que pode também limitar a atuação do banco central dos EUA Federal Reserve (Fed).
A autoridade monetária sinalizou, recentemente, a possibilidade de apenas um corte de juros ao longo de 2026, cenário que tende a manter as condições financeiras mais restritivas e apoiar os títulos públicos: Treasuries.
Cenários alternativos estão no radar
Além disso, o Barclays traçou um cenário adverso, no qual o S&P 500 poderia recuar para 5.900 pontos. No início de março, o JP Morgan também indicou queda de 10% no indicador caso as tensões no Golfo permaneçam.
Essa hipótese considera a manutenção de preços elevados do petróleo, com impacto direto sobre a inflação e, consequentemente, sobre a política monetária americana.
Outro fator de risco envolve o mercado de crédito privado, com aumento nas pressões por resgates em fundos do segmento, o que pode intensificar movimentos de queda se houver deterioração do sentimento dos investidores.
O Barclays elevou a avaliação para empresas industriais, que passaram de neutras para positivas, citando melhora no ciclo industrial e aumento de investimentos associados à inteligência artificial.
Os setores de materiais e energia também tiveram suas classificações revistas para neutro, refletindo benefícios diretos da alta das commodities energéticas.
Já a combinação entre crescimento de lucros, impulso tecnológico e riscos macroeconômicos elevados indica um cenário de avanço potencial para o S&P 500, mas com volatilidade ao longo do caminho.
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