A geração do wellness? Geração Z consome bem-estar, mas se exercita menos
As gerações mais jovens cresceram cercadas por informação na ponta dos dedos. Se antes era necessário ir até o jornal ou a banca para se atualizar, ou correr até a biblioteca para tirar uma dúvida sobre qualquer coisa, hoje basta tirar o telefone do bolso para ter respostas em poucos segundos.
Entre tantos temas abordados diariamente nas redes sociais e na internet, está o bem-estar. Nas redes sociais, vídeos sobre rotinas saudáveis, atividades físicas, dietas e cuidados com a saúde mental aparecem o tempo todo — muitas vezes logo cedo, quando o celular é a primeira coisa que se pega ao acordar.
Esse ambiente digital molda especialmente duas gerações: a Z, formada por pessoas nascidas entre 1995 e 2010, que cresceu durante a expansão da internet e das redes sociais; e a Alfa, nascida a partir de 2010, que já veio ao mundo totalmente conectada.
Não por acaso, a Gen Z vem sendo apontada como um dos motores da economia do bem-estar. Para muitos jovens, cuidar do corpo e da mente virou parte do estilo de vida — tanto que essa faixa etária foi a que mais gastou dinheiro com esportes em 2025, segundo o 12º Relatório Anual de Tendências Esportivas do Strava.
Contradições
Enquanto pesquisas de mercado apontam as gerações mais novas como grandes responsáveis pelo crescimento do mercado fitness e de bem-estar, relatórios de autoridades mostram o contrário: essas faixas etárias também enfrentam piora em alguns indicadores de saúde.
No Brasil, por exemplo, o país lidera o sedentarismo na América Latina e ocupa a quinta posição no ranking mundial, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). A falta de atividade física está associada a cerca de 300 mil mortes por ano, principalmente por doenças crônicas.
Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que 47% dos adultos brasileiros são sedentários. Entre os jovens, o percentual é ainda maior: 84%.
A geração Alfa também preocupa — principalmente pela falta de dados que temos acerca da saúde desses jovens no Brasil e no mundo. Informações de 2019 da Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam que cerca de 80% dos adolescentes entre 11 e 17 anos no mundo não praticam o nível mínimo recomendado de atividade física.
Adolescência vira foco de novas iniciativas
Com adolescentes correndo o perigo de ficarem imersos nas telas — e ficando cada vez mais sedentários ao dedicar muitas horas do dia para os eletrônicos — especialistas começaram a olhar com mais atenção para essa fase da vida, que é muito importante para a formação de novos hábitos.
Como adolescentes da mesma idade podem estar em estágios muito diferentes de maturação física, o treino não é definido apenas pela faixa etária. "Quando um programa de exercícios é planejado somente pela faixa etária, corre-se o risco de subestimar adolescentes mais maduros ou, o que é mais preocupante, sobrecarregar aqueles que ainda estão em fases iniciais de desenvolvimento", explica Waldyr Maciel, professor da Les Cinq Gym.
O programa propõe musculação orientada, exercícios funcionais e aulas de jiu-jitsu. A musculação é um dos pilares do projeto, mas sem focar na hipertrofia, e sim no desenvolvimento da resistência muscular, da coordenação e da execução correta dos movimentos.
Segundo Rodrigo Sangion, profissional de educação física e CEO da Les Cinq Gym, a proposta também é criar um ambiente de socialização fora das telas. "Queremos que os adolescentes se sintam acolhidos em treinos pensados para eles. Todo o trabalho partirá de avaliações periódicas que acompanham o desenvolvimento de cada aluno e, quando necessário, inclui orientação nutricional", afirma.
Dependendo das regras de cada escola, o programa também pode funcionar como complemento às aulas de educação física tradicionais, com autorização dos adolescentes e de seus responsáveis.
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