Bolsas na Europa desabam; conflito no Irã fez gás natural subir 90%

Por Da redação, com agências 3 de Março de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Bolsas na Europa desabam; conflito no Irã fez gás natural subir 90%

O humor dos investidores azedou de vez no mercado europeu e as principais bolsas do velho continente operam em forte queda nesta terça-feira, pressionadas pela escalada do conflito entre Estados Unidos e Irã. O confronto amplia a aversão ao risco nos mercados globais e reacende temores inflacionários ligados à energia.

Por volta das 8h (horário de Brasília), o índice pan-europeu Stoxx 600 recuava entre 3,2% e 3,5%, caminhando para a maior queda em dois dias desde abril. O Euro Stoxx 50 cedia 3,8%, enquanto o DAX, da Alemanha, recuava 4,1%. O índice italiano FTSE MIB também figurava entre os piores desempenhos do dia.

A queda é disseminada entre os setores. Bancos, seguradoras e utilities (serviços públicos) lideram as perdas. O grupo de ações de bancos recuavam 4,3%, seguradoras perdiam 4,4% e empresas de utilidade pública também caíam 4,4%. O segmento de viagens e lazer tombava 2,7%, refletindo o fechamento de espaços aéreos no Oriente Médio e o cancelamento de milhares de voos no mundo.

Mesmo empresas que apresentaram resultados sólidos na atual temporada de balanços não escapam do movimento generalizado de venda. O setor de energia destoava, sustentado pela disparada do petróleo.

Petróleo, inflação e risco de choque de oferta

O movimento de venda de ações ocorre em meio à alta expressiva do petróleo e do gás natural. A Bloomberg destaca que os preços do gás europeu acumulam avanço de cerca de 90% desde o fechamento de sexta-feira, impulsionados também pelo fechamento de uma grande unidade de exportação de gás natural liquefeito no Catar.

O foco dos investidores está no estreito de Ormuz, por onde passa cerca de um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito transportado globalmente. Agências internacionais, citando fontes iranianas, afirmam que que o estreito está fechado e que o Irã incendiaria embarcações que tentassem cruzar a rota.

Para Mathieu Racheter, chefe de estratégia de ações do Julius Baer, os mercados já não estão precificando apenas ruído geopolítico. “A percepção de risco vem da possibilidade do preço do petróleo ultrapassar os US$ 100 e se manter nesse patamar”, afirmou à Bloomberg. “Assim sendo, não estaríamos mais falando de um incremento de inflação, mas de um risco de estagflação — crescimento baixo combinado com novas pressões de preço".

A deterioração do cenário já impacta as expectativas de política monetária. Segundo a Bloomberg, a probabilidade de um aumento de juros pelo Banco Central Europeu (BCE) antes do fim do ano superou 50%, depois de o mercado apostar em novos cortes apenas uma semana atrás. O rendimento do título alemão de dez anos, termômetro da percepção do investidor sobre juros, subiu pelo segundo dia consecutivo, alcançando 2,8%.

Dados divulgados pela Eurostat mostraram que a inflação da zona do euro acelerou para 1,9% em fevereiro, ante 1,7% em janeiro — ainda abaixo da meta de 2% do BCE, mas em um contexto de forte volatilidade nos preços de energia.

O conflito no Oriente Médio entra no quarto dia, sem perspectiva clara de desfecho. Líderes militares americanos anunciaram o envio de mais forças para a região, e o presidente Donald Trump afirmou que a guerra pode durar de quatro a cinco semanas, mas também pode se estender para além disso.

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