Bolsas têm saldo negativo durante guerra no Irã — com exceção de uma
O avanço do conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã provocou uma correção disseminada nos mercados acionários neste início de março. De acordo com levantamento da Elos Ayta, divulgado nesta terça-feira, 10, dos 21 índices globais analisados pela consultoria, apenas um se manteve em terreno positivo, o Nasdaq Composite.
Do dia 27 de fevereiro até esta segunda, 9, o índice norte-americano, que tem forte participação de empresas de tecnologia, foi o único a registrar leve alta de 0,12% em dólares. Apesar de modesta, a valorização chama atenção por ter ocorrido em um ambiente dominado por aversão ao risco.
Entre os outros 20 índices acionários analisados pesou a redução de exposição dos investidores a ativos de risco, busca por proteção e reavaliação das expectativas para a economia. As quedas mais intensas, contudo, ficaram concentradas na Europa e na Ásia.
O pior desempenho da amostra foi do Euro Stoxx 50, índice que reúne grandes empresas da zona do euro e acumulou recuo de 15,50% em dólares no intervalo analisado. Na sequência aparecem o Nikkei 225, do Japão, com queda de 11,35%, acompanhado pelo S&P/BVL General, do Peru, que caiu 10,69%, e o IPSA, do Chile, com recuo de 10,43%.
Segundo a consultoria, a forte presença de empresas de tecnologia e inovação no índice americano ajuda a explicar a resistência relativa do Nasdaq sobre as demais bolsas.
"O índice tem forte concentração em empresas de tecnologia e inovação, setores que frequentemente apresentam maior capacidade de adaptação em ambientes de choque externo. Além disso, companhias com receitas globais e margens elevadas costumam oferecer alguma proteção relativa em momentos de incerteza. Não é exatamente um movimento de euforia. É, antes, um sinal de seletividade. Um retrato típico de momentos de tensão", destaca a consultoria no levantamento.
Ibovespa fica no 'meio da tabela'
Dentro desse cenário, a América Latina apresentou perdas relativamente mais moderadas.
Entre os índices com melhor desempenho relativo aparecem o S&P Merval, da Argentina, com queda de 1,03% em dólares, e o MSCI Colcap, da Colômbia, que recuou 1,16%. O S&P 500, principal índice acionário dos Estados Unidos, registrou queda de 1,20% no mesmo período.
"Esse comportamento pode refletir fatores distintos: composição setorial, dinâmica cambial e até mesmo o posicionamento prévio dos investidores internacionais nesses mercados", afirma a Elos Ayta.
Nesse ranking global, o Ibovespa aparece em uma posição intermediária. Entre 27 de fevereiro e 9 de março, o principal índice da bolsa brasileira acumulou queda de 4,17% em reais e recuo de 5,35% em dólares.
Com esse desempenho, o Brasil ocupa a 8ª posição entre os melhores resultados da amostra analisada pela consultoria, o que coloca o índice no chamado "meio da tabela"
A leitura da consultoria é de que o movimento representa uma correção relevante, mas que ainda demonstra resiliência relativa em comparação com os mercados da Ásia e da Europa, que concentraram as perdas com o conflito no Oriente Médio.
O movimento nas bolsas ocorre em meio à escalada das tensões na região. O conflito teve início em 28 de fevereiro, quando Estados Unidos e Israel realizaram ataques coordenados que mataram o líder supremo iraniano, Ali Khamenei, além de integrantes da cúpula militar do país.
Guerra no Irã entra no 11° dia
A guerra chegou nesta terça-feira, 10, ao 11º dia e permanece no centro das atenções dos mercados globais.
Nos últimos dias, declarações de autoridades americanas chegaram a indicar a possibilidade de um desfecho mais próximo. Em entrevista à emissora CBS News, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que o conflito estaria “praticamente concluído” e que as operações militares avançaram mais rápido do que o previsto.
Apesar disso, os sinais vindos dos dois lados do conflito permanecem contraditórios. O presidente do parlamento iraniano, Mohammad-Bagher Ghalibaf, afirmou que o país não busca um cessar-fogo, enquanto a Guarda Revolucionária Islâmica declarou que caberá ao Irã determinar quando a guerra chegará ao fim.
Do lado israelense, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu afirmou durante a madrugada que os ataques ainda não terminaram e que a operação militar continua com o objetivo de enfraquecer a liderança clerical iraniana.
Nesta terça-feira, Estados Unidos e Irã também trocaram novas ameaças, aumentando o risco de que o conflito avance para o Estreito de Hormuz, rota estratégica por onde passa cerca de 20% da produção mundial de petróleo e gás e que atualmente está bloqueada em razão da guerra.
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