Brasil patina na produtividade do trabalho e limita potencial do PIB, diz BC
O Banco Central (BC) avalia que o desempenho recente da produtividade no Brasil tem sido limitado e pode restringir o crescimento da economia nos próximos anos.
Segundo o Relatório de Política Monetária, o crescimento da produtividade do trabalho desde 2019 foi modesto e insuficiente para sustentar uma expansão mais robusta do PIB (Produto Interno Bruto).
De acordo com o BC, entre 2019 e 2025, o Valor Adicionado Bruto (VAB) da economia cresceu 13,9%, enquanto a população ocupada avançou 10%. No mesmo período, a produtividade do trabalho subiu apenas 3,5%.
Os dados indicam que a maior parte do crescimento da economia ocorreu pela incorporação de trabalhadores, e não por ganhos de eficiência.
O avanço médio da produtividade foi de 0,6% ao ano no período, com trajetória irregular. Houve alta em 2020, influenciada pelo choque da pandemia, seguida de reversão até 2022. Em 2023, o indicador voltou a subir, impulsionado pela agropecuária, antes de desacelerar novamente.
O BC destaca que o ganho de produtividade está concentrado principalmente pelo chamado efeito composição — quando trabalhadores migram para setores mais produtivos — e do desempenho da agropecuária.
O efeito direto, que mede ganhos de produtividade dentro dos próprios setores, teve contribuição praticamente nula desde 2019.
Setorialmente, a agropecuária foi o principal destaque, combinando aumento de produção com redução da população ocupada.
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Alguns segmentos de serviços também apresentaram desempenho positivo, possivelmente associados à incorporação de tecnologia e mudanças organizacionais.
Por outro lado, a maior parte dos setores registrou avanço limitado ou até queda na produtividade.
Estagnação fora da agropecuária preocupa
Ao excluir a agropecuária, o cenário é mais fraco. Segundo o BC, a produtividade do trabalho cresceu apenas 1,1% desde 2019, o equivalente a uma média de 0,2% ao ano.
Além disso, o efeito direto passa a ser negativo, indicando perda de eficiência dentro dos setores.
Desde 2023, a produtividade do trabalho permanece praticamente estagnada quando se desconsidera a agropecuária.
O BC avalia que esse quadro limita a capacidade de redução de custos na economia e pode afetar o crescimento de longo prazo.
Segundo o relatório, a combinação de baixa produtividade com restrições ao avanço da população ocupada — em um cenário de desemprego reduzido e menor crescimento da população em idade ativa — pode reduzir o potencial de expansão do PIB.
Nesse contexto, a autoridade monetária aponta um risco adicional: acelerações da demanda tendem a se traduzir em inflação.
Sem ganho consistente de produtividade, o crescimento econômico pode pressionar preços em vez de ampliar a capacidade produtiva.
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