Brasil quer oferecer 'terras raras verdes' à Europa, diz presidente da Apex
Hanover - O Brasil quer fazer acordos para fornecer minerais críticos à Europa, mas de forma que a exploração seja sustentável e benéfica ao país, disse Laurindo Muller, presidente da ApexBrasil.
"A gente quer ter tecnologia para explorar e acessar esses minerais, mas que seja uma tecnologia verde. A gente quer trabalhar com a mineração verde", disse Müller, em conversa com a EXAME.
"O ponto dois é que isso se transforme em indústria no Brasil, em processamento no Brasil. A gente não quer ser um exportador de minerais apenas. Queremos ser um exportador de uma cadeia que busque esses minerais de forma sustentável e verde, e que a gente agregue valor e industrialize no Brasil", afirma.
Parcerias com vários países
Müller diz que o Brasil negocia parcerias na área com os EUA, a China e a Europa da mesma forma, e que o interesse europeu por este tema vem aumentando.
"A gente negocia e quer trazer investimentos chineses, americanos e europeus para o Brasil. E tem uma intensidade maior agora nesse diálogo com os europeus", afirma.
"A Europa tem uma estratégia chamada Global Gateway, de aproximar cadeias produtivas. A gente quer colocar os minerais raros no centro dessa estratégia, pois somos muito complementares. A Europa precisa fazer uma transição energética acelerada", disse.
Entenda as terras raras
As terras raras são minerais usados em tecnologias de ponta, como baterias e chips de última geração. Eles não são necessariamente difíceis de encontrar, mas sim de estarem disponíveis em grande quantidade em um mesmo local. Há também dificuldades para separá-los dos demais materiais do solo, o que exige tecnologias de ponta.
Segundo o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS), o Brasil possui a segunda maior reserva de terras raras do mundo, depois da China. O país da Ásia gera mais de 60% da produção global e refina quase 90% da produção global de terras raras.
Em março, o governo de Goiás firmou um memorando de entendimento com o governo dos EUA, para avançar no mapeamento dos minerais do estado e estimular novos negócios com empresas americanas. O gesto gerou críticas do governo federal, pois a Constituição determina que o controle dos recursos no subsolo cabe à União.
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