Brasil registra menor perda florestal desde 2002 e puxa queda global de 36%, aponta WRI

Por Sofia Schuck 30 de Abril de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Brasil registra menor perda florestal desde 2002 e puxa queda global de 36%, aponta WRI

O Brasil viveu em 2025 seu melhor ano no combate à perda florestal desde o início do monitoramento em 2002 e reduziu em 42,4% a destruição de suas florestas tropicais primárias em relação a 2024.

Mas o avanço vem acompanhado de um alerta: 65% dessa devastação foi causada por incêndios e o fogo desponta como maior ameaça.

O desempenho positivo foi decisivo para [grifar]puxar a queda global de 36% registrada no mesmo período, segundo dados do relatório anual do Global Forest Watch do World Resources Institute (WRI).

No total, o Brasil perdeu 1,63 milhão de hectares de florestas primárias em 2025, uma área equivalente a 2,8 vezes o território do Distrito Federal. O número contrasta com os 2,83 milhões de hectares destruídos em 2024, ano que havia registrado recorde negativo.

As florestas tropicais primárias são aquelas que ainda não foram significativamente alteradas pela ação humana. Diferentes das secundárias, que se regeneram após algum tipo de intervenção, elas acumularam séculos de biodiversidade e funcionam como reguladoras do clima global, absorvendo grandes quantidades de carbono.

Além disso, exercem seu papel de proteger milhões de pessoas que dependem delas para alimentação, renda e proteção contra eventos climáticos extremos. O Brasil abriga a maior delas: a Amazônia, que sozinha representa mais da metade de toda a floresta tropical primária do planeta.

Segundo especialistas, a queda coincide com o fortalecimento das políticas ambientais brasileiras, incluindo o relançamento do Plano de Ação para Prevenção e Controle do Desmatamento na Amazônia (PPCDAm) e o aumento das penalidades para crimes ambientais.

Os estados que mais reduziram a devastação florestal foram Amazonas, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Acre e Roraima, todos com recuo acima de 40%. Na contramão, o Maranhão registrou aumento, e Rondônia manteve índices elevados, com 215 mil hectares destruídos.

Para Mirela Sandrini, diretora executiva do WRI Brasil, o próximo passo é implementar mecanismos de financiamento para a proteção da natureza, como o Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF) e os instrumentos de Pagamentos por Serviços Ambientais (PSA).

"O país tem poucas oportunidades comparáveis para avançar em direção a uma economia de baixo carbono", destaca.

O fogo é a maior ameaça

Por trás do avanço positivo, um dado preocupa: dos 1,63 milhão de hectares perdidos no Brasil em 2025, 65,2% foram causados por incêndios e apenas 34,8% por desmatamento e conversão de áreas naturais.

O fogo, que se alastra com mais facilidade em paisagens degradadas e em períodos de seca intensa agravadas pelas mudanças climáticas, emerge como o principal vetor da destruição florestal nacional.

"A paisagem brasileira está se tornando mais inflamável, e o aumento do risco de incêndios significa que a fiscalização por si só não será suficiente", alerta Sandrini. Segundo a especialista, proteger as conquistas vai exigir ampliar a prevenção liderada pelas comunidades e construir uma economia que valorize as florestas em pé.

Queda global ainda é insuficiente

O recuo também é expressivo no plano global, mas ainda é aquém do necessário frente aos desafios da crise climática.

O mundo perdeu 4,3 milhões de hectares de floresta tropical primária em 2025, área aproximadamente do tamanho da Dinamarca. Apesar da queda de 36% em relação a 2024, o nível atual é 46% superior ao registrado há uma década, com florestas desaparecendo a uma taxa de 11 campos de futebol por minuto.

Além disso, a ciência revela que os níveis atuais estão cerca de 70% acima do necessário para cumprir a meta global de 2030, que prevê interromper e reverter o desmatamento e foi um compromisso assumido por 140 países na COP26, em Glasgow.

"A redução em 2025 é animadora e demonstra o que ações governamentais decisivas podem alcançar", diz Elizabeth Goldman, codiretora do Global Forest Watch. "Mas parte dessa queda reflete uma trégua após um ano extremo de incêndios", explica.

De olho em 2026: El Niño e eleições

Para especialistas e líderes, o próximo ano será decisivo. A previsão de intensificação do El Niño aumenta o risco de incêndios em regiões já vulneráveis, enquanto as eleições nacionais em países-chave podem influenciar a continuidade das políticas de proteção florestal.

"O progresso observado em países como Brasil e Colômbia é encorajador, mas ainda incerto", pondera Rod Taylor, diretor global de florestas do WRI.

"São exemplos do que pode ser feito, mas também lembram o quanto o futuro das florestas depende de vontade política e resiliência diante das mudanças climáticas", acrescentou.

Na avaliação do WRI, alcançar as metas de 2030 dependerá de liderança política contínua, investimentos robustos e da implementação eficaz de instrumentos como o TFFF, que remunera nações que mantêm a floresta em pé e a regulamentação europeia contra o desmatamento (EUDR).

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8/53 Barco da marinha do Brasil - Embarcação no Rio Amazonas -Amazonia - ribeirinhas - Foto: Leandro Fonseca data: 02/072023 (_MG_7092)

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10/53 Barco da marinha do Brasil - Embarcação no Rio Amazonas -Amazonia - ribeirinhas - Foto: Leandro Fonseca data: 02/072023 (_MG_7085)

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12/53 Comunidade ribeirinha no Rio Amazonas, entre Manaus e Parintins (Leandro Fonseca/EXAME) (Rio Amazonas -Amazonia - ribeirinhas - Foto: Leandro Fonsecadata: 02/072023)

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14/53 Ribeirinhos aguardam a passagem dos barcos na volta de Parintins (Leandro Fonseca/EXAME) (Rio Amazonas -Amazonia - ribeirinhas - Foto: Leandro Fonsecadata: 02/072023)

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17/53 Barco no Rio Amazonas (Rio Amazonas -Amazonia - ribeirinhas - Foto: Leandro Fonsecadata: 02/072023)

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24/53 Ribeirinhos no rio Amazonas (Rio Amazonas -Amazonia - ribeirinhas - Foto: Leandro Fonsecadata: 02/072023)

25/53 Trecho de floresta no Pará (Abaetuba no Pará - Amazonia -Foto: Leandro Fonsecadata: outubro 2022)

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27/53 Casas ribeirinhas da Amazonia - AM foto: Leandro Fonseca data: 04/2022 (Casas ribeirinhas da Amazonia - AM foto: Leandro Fonsecadata: 04/2022)

28/53 Casas ribeirinhas da Amazonia - AM foto: Leandro Fonseca data: 04/2022 (Casas ribeirinhas da Amazonia - AM foto: Leandro Fonsecadata: 04/2022)

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30/53 Airão Velho - Ruinas de Airão Velho - Amazonia - AM - Rio Negro - Selva - Expedição Katerre - Natureza - foto: Leandro Fonseca data: 04/2022 (IMG_8917)

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35/53 Comunidade Ribeirinha Cachoeira do Parque Nacional do Jau - ICMBIO - Rio Jaú - Amazonia - AM - Rio Negro - Selva - Futebol - Expedição Katerre - Natureza - foto: Leandro Fonseca data: 04/2022 (IMG_8739)

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37/53 As árvores da Amazônia estão cada vez maiores, mas vivem em um equilíbrio delicado (IMG_8567)

38/53 Rio Negro, na Amazônia (Amazônia)

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43/53 Turistas na Expedição Katerre - Turismo - Amazonia - AM - Rio Negro - Selva - Expedição Katerre - Natureza - foto: Leandro Fonseca data: 04/2022 (IMG_8237)

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