Brasil tem maior corte de tarifas com nova taxa global de 15% dos EUA, diz estudo

Por Daniel Giussani 22 de Fevereiro de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Brasil tem maior corte de tarifas com nova taxa global de 15% dos EUA, diz estudo

O Brasil será o país mais beneficiado pela mudança no regime tarifário dos Estados Unidos, com queda média de 13,6 pontos percentuais nas tarifas aplicadas a seus produtos. A estimativa é da consultoria Global Trade Alert, que analisou o efeito da nova taxa global de 15% anunciada por Donald Trump após decisão da Suprema Corte americana.

Até a semana passada, parte relevante das exportações brasileiras enfrentava sobretaxas impostas com base na IEEPA, sigla em inglês para Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional. Desde julho/agosto de 2025, muitos produtos do Brasil pagavam uma sobretaxa de até 40%, além da tarifa geral de 10% aplicada a praticamente todos os parceiros comerciais.

Com a decisão da Suprema Corte que derrubou as tarifas de Trump, a Casa Branca reagiu acionando a Seção 122 da Lei de Comércio de 1974. O dispositivo autoriza o presidente a impor uma tarifa temporária, por até 150 dias, sem aprovação prévia do Congresso.

Primeiro, Trump anunciou 10%. No sábado, elevou para 15%.

Na prática, o novo modelo funciona assim: para a maioria dos produtos, permanece a tarifa normal do item — já existente antes da época do tarifaço do ano passado — acrescida de um adicional temporário global de 15%.

A medida tem exceções, como bens cobertos pelo acordo comercial da América do Norte e produtos sujeitos à Seção 232 — caso de aço e alumínio, que enfrentam taxação de 50%. No desenho atual, essas alíquotas continuam em vigor e se somam ao novo adicional anunciado.

O estudo calcula que, com a taxa global de 15%, a tarifa média ponderada dos EUA — média que considera o peso de cada produto na pauta de importações — ficará em 13,2%.

Antes da decisão da Suprema Corte, estava em 15,3%. Se nenhuma medida tivesse sido adotada após a derrota judicial, cairia para 8,3%.

A Global Trade Alert analisou mais de 274 mil fluxos de comércio, cruzando país exportador e produto no nível mais detalhado do sistema aduaneiro internacional, o HS de 8 dígitos, que identifica mercadorias com precisão.

Brasil e China serão os mais beneficiados

Para chegar à tarifa média de cada país, os pesquisadores usaram como base o valor importado pelos EUA em 2024. Produtos mais comprados pelos americanos têm peso maior no cálculo. Isso evita que itens pouco relevantes distorçam o resultado final.

O levantamento comparou quatro cenários: o regime anterior à decisão da Suprema Corte; o cenário sem as tarifas da IEEPA; a versão inicial da Seção 122 com 10%; e o modelo atual com 15%.

China (-7,1 pontos percentuais) e Índia (-5,6 pontos) também registram queda relevante. Já países que tinham tarifas baixas passam a pagar mais com o piso de 15%. Reino Unido (+2,1 pontos), Itália (+1,7) e Singapura (+1,1) estão entre os que veem aumento.

A medida vale por 150 dias, até 24 de julho, salvo prorrogação pelo Congresso.

Mesmo sem tarifas, investigação continua

O governo dos Estados Unidos afirmou que seguirá com a investigação comercial contra o Brasil, mesmo após a Suprema Corte americana considerar ilegais as tarifas impostas por Donald Trump.

Em nota divulgada na noite de sexta-feira, 20, o Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR) informou que o governo vai prosseguir com as investigações em andamento da Seção 301, incluindo aquelas que envolvem o Brasil e a China.”

“Se essas investigações concluírem que existem práticas comerciais desleais e que medidas corretivas são justificadas, as tarifas são uma das ferramentas que podem ser impostas”, diz o comunicado.

Investigação com base na Seção 301

A apuração contra o Brasil tem como base a Seção 301 da Lei de Comércio de 1974.

Ela foi aberta em julho do ano passado, quando Trump enviou carta ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva informando sobre o tarifaço de 50% e sobre a abertura de investigação comercial contra o país.

A menção ao Brasil no documento do USTR é interpretada como um recado de que o país continua sob análise da política comercial americana.

Quando a investigação foi anunciada, o texto citava temas como Pix, redes sociais, desmatamento ilegal e práticas de corrupção.

A nota também afirma que o governo manterá as tarifas aplicadas com base na Seção 232 da Lei de Expansão Comercial de 1962, além de concluir investigações em curso e abrir novas apurações sob a Seção 301.

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