BTG aponta quais varejistas brasileiras de moda perdem mais com fim da taxa das blusinhas

Por Mitchel Diniz 13 de Maio de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
BTG aponta quais varejistas brasileiras de moda perdem mais com fim da taxa das blusinhas

O BTG Pactual identificou as varejistas listadas em bolsa com maior exposição ao risco competitivo trazido pela revogação da "taxa das blusinhas". Lojas Renner, C&A Brasil e Guararapes — dona da Riachuelo — são as empresas citadas em relatório do banco. As três compartilham uma característica central: atendem prioritariamente consumidores de renda média e baixa, o segmento mais sensível a preço e mais atraído pelas plataformas asiáticas.

Quando uma consumidora encontra uma blusa equivalente 10% ou 13% mais barata na Shein do que na Renner ou na C&A, isso antes mesmo do fim da taxa, a decisão de compra tende a migrar para o canal importado.

Com a eliminação do imposto federal de 20%, essa diferença só tende a crescer, corroendo a base de clientes das varejistas tradicionais justamente nas categorias de maior volume: vestuário, acessórios e itens do dia a dia.

O histórico recente já mostrou o tamanho do estrago possível. Durante o pico de pressão competitiva em 2023 e 2024, o crescimento de receita das varejistas listadas desacelerou para um dígito baixo, enquanto a intensidade promocional — ou seja, a quantidade de descontos e liquidações necessários para atrair clientes — aumentou de forma expressiva. Margens foram comprimidas, e o setor enfrentou um dos períodos mais difíceis de sua história recente.

O BTG reconhece, no entanto, que as três companhias avançaram de forma relevante desde então. Renner, C&A e Guararapes investiram em melhorias de gestão de inventário, maior assertividade na escolha de produtos, flexibilidade no abastecimento (sourcing) e execução de canais físicos e digitais de forma integrada. O resultado foi uma redução da diferença de preços em relação às plataformas estrangeiras na comparação com os levantamentos de 2024 e 2025.

O problema, segundo o banco, é que esse aprendizado foi conquistado em um ambiente com taxas de importação vigentes. Sem a proteção da alíquota de 20%, as varejistas precisarão sustentar essa disciplina operacional em condições ainda mais adversas, com concorrentes que operam sem a mesma carga tributária, trabalhista e logística que as empresas brasileiras carregam estruturalmente.

O BTG conclui que, embora a medida seja negativa para o setor, o risco de uma deterioração tão severa quanto a de 2023–2024 parece menor, desde que as varejistas mantenham o rigor que conquistaram.

O principal indicador a acompanhar nos próximos trimestres será a margem bruta, aponta o banco. Se ela resistir, será sinal de que as empresas conseguiram adaptar seu modelo competitivo. Se ceder, o mercado terá a confirmação de que o fim da taxa abriu uma ferida mais funda do que o esperado.

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