BTG eleva recomendação para a Ambev depois de 13 anos: saiba o motivo
Por 13 anos, o BTG Pactual (do mesmo grupo controlador da EXAME) manteve uma postura cautelosa em relação à Ambev. A cada sinal de recuperação, o banco resistiu à tentação de dar um upgrade no papel. Nesta segunda-feira, 26, o movimento aconteceu e o banco elevou a recomendação das ações de "neutro" para "compra".
"Não fazemos isso de forma leviana", escreveram os analistas Thiago Duarte e Guilherme Guttilla. A mudança de posição, segundo eles, reflete uma convicção de que a Ambev finalmente reconquistou algo que havia perdido há uma década, isto é, o poder de ditar preços no mercado de cervejas brasileiro.
"Estamos mudando de ideia agora porque a capacidade da Ambev de impor preços, a principal variável que explica sua criação de valor, ancorada em um portfólio que a concorrência não consegue igualar, parece finalmente estar dando frutos", detalharam em um relatório ao mercado.
O papel da Heineken nessa virada
Como a Heineken reconfigurou o mercado premium brasileiro durante 15 anos, conquistou uma fatia expressiva do segmento e, por um bom tempo, passou a liderar as decisões de preço do setor, a Ambev estava em uma posição defensiva diante da concorrência por muito tempo.
E essa dinâmica parece estar mudando. Após adicionar cerca de cinco milhões de hectolitros de capacidade, o esperado era que a Heineken priorizasse volume, usando promoções para ganhar mercado. Só que o oposto aconteceu e a empresa reajustou preços duas vezes em 2025, seguindo a Ambev, mesmo com volumes em queda.
Para os analistas, isso é um sinal claro de maturidade de ciclo da marca. A Heineken, com seu portfólio concentrado, chegou a um ponto onde crescer além do que já conquistou exige aceitar preços mais baixos, o que ameaça, justamente, o prestígio que a tornou relevante.
Recentemente, a Heineken lançou o Heineken Lager Spritz e o Heineken Ultimate (versão sem glúten e com menos calorias) no Brasil, movimentos que o BTG interpreta como reação ao avanço do portfólio da Ambev.
A vantagem do portfólio da Ambev
Enquanto a Heineken depende, essencialmente, das marcas Heineken e Amstel, a Ambev reconstruiu presença em praticamente todas as faixas de preço. Algo que a concorrência ainda não consegue replicar.
Spaten, Corona, Stella Pure Gold e Becks reforçaram o segmento premium; Brahma Duplo Malte e o reposicionamento de Bohemia e Budweiser ocuparam o espaço intermediário; marcas tradicionais no entry-level seguraram volume nas faixas mais acessíveis.
A companhia detém cerca de 70% de participação no segmento mainstream e 50% no premium, uma lacuna que, sendo endereçada, deve sustentar ganhos reais de preço médio da ordem de 1,4 ponto percentual (p.p.) ao ano até o fim da década, de acordo com o BTG.
Retorno sobre capital em 37% em 2028
O BTG estima que o Retorno Sobre o Capital Investido (ROIC, em inglês) da Ambev alcance 37% em 2028. Para o banco, esse patamar é o que separa uma cervejeira comum de uma empresa com valuation premium, e o caminho para chegar lá não exige grandes investimentos, apenas que as receitas continuem crescendo com preço e mix.
Para 2026, o banco projeta receita líquida de R$ 92,5 bilhões, lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, em inglês) de R$ 31,1 bilhões (margem de 33,6%) e lucro líquido de R$ 16,1 bilhões, com lucro por ação (EPS, em inglês) de R$ 1,03. O dividendo por ação estimado é de R$ 1,16, com yield de 7,1%.
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