O que é cardiomiopatia hipertrófica, doença que matou fisiculturista aos 22 anos

Por Vanessa Loiola 25 de Maio de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
O que é cardiomiopatia hipertrófica, doença que matou fisiculturista aos 22 anos

A cardiomiopatia hipertrófica é uma doença cardíaca em que o músculo do coração se torna anormalmente espesso, dificultando o bombeamento de sangue e o relaxamento do órgão. A condição foi apontada no atestado de óbito do fisiculturista Gabriel Ganley, de 22 anos, encontrado morto em São Paulo no último sábado, 23.

Em entrevista à EXAME, Juliano Novaes Cardoso, médico cardiologista e docente do curso de Medicina da Faculdade Santa Marcelina, afirmou que a doença pode permanecer silenciosa durante anos e, em alguns casos, provocar arritmias graves e morte súbita, sobretudo durante exercícios físicos intensos.

Segundo o médico, a cardiomiopatia hipertrófica está entre as principais causas de morte súbita em pessoas jovens. “Acima dos 40 anos, a principal causa costuma ser a doença arterial coronariana, que é a alteração das artérias do coração responsável pelo infarto. Já em indivíduos mais jovens, devemos pensar principalmente em cardiomiopatia hipertrófica, miocardites, que são inflamações do músculo cardíaco, e em arritmias cardíacas”, explica.

O que é cardiomiopatia hipertrófica?

A cardiomiopatia hipertrófica provoca um espessamento anormal do miocárdio, músculo responsável pelas contrações do coração. Com isso, o órgão pode perder eficiência para bombear sangue adequadamente para o corpo.

Além de dificultar o funcionamento cardíaco, a alteração também pode interferir no sistema elétrico do coração, aumentando o risco de arritmias potencialmente fatais.

De acordo com Cardoso, a condição costuma ter origem genética e hereditária, embora algumas situações possam agravar o quadro clínico.

Quais são os sintomas?

Em muitos casos, a doença não apresenta sinais claros nos estágios iniciais. Algumas pessoas descobrem a doença apenas após exames de rotina ou episódios graves.

Entre os principais sintomas associados à condição estão:

Além disso, histórico familiar de morte súbita ou doenças cardíacas precoces também merece alerta. “A presença desses sintomas deve chamar atenção e motivar avaliação com cardiologista. Em muitos casos, exames relativamente simples conseguem identificar alterações importantes antes que um evento grave aconteça”, afirma Cardoso.

Exercícios físicos continuam sendo recomendados

Apesar da relação entre algumas doenças cardíacas e eventos súbitos durante treinos intensos, o especialista reforça que a prática regular de atividade física continua sendo uma das principais aliadas da saúde cardiovascular.

Segundo Cardoso, o mais importante é garantir uma prática segura, principalmente antes de iniciar exercícios de alta intensidade. “A atividade física continua sendo uma das principais ferramentas de promoção de saúde. O ponto central não é gerar medo da prática esportiva, mas estimular uma prática segura e responsável”, destaca.

Check-up cardíaco pode ajudar na prevenção

Antes de iniciar exercícios físicos, a recomendação é de realizar avaliação médica, principalmente para pessoas sedentárias, atletas ou indivíduos com histórico familiar de doenças cardíacas.

Exames como eletrocardiograma, ecocardiograma e teste ergométrico conseguem identificar alterações cardíacas silenciosas em muitos casos.

O especialista também destaca a importância de academias e centros esportivos possuírem equipamentos adequados e equipes treinadas para situações de emergência. “Quando ocorre uma parada cardíaca, a agilidade no atendimento é determinante para aumentar as chances de sobrevivência. Ter equipamentos adequados e profissionais treinados salva vidas”, afirma.

Além disso, fatores como desidratação, excesso de esforço físico, uso de substâncias estimulantes e anabolizantes podem aumentar riscos cardiovasculares em pessoas predispostas.

Quem era Gabriel Ganley

Gabriel Ganley era fisiculturista e influenciador digital. Natural do Rio de Janeiro, ele ficou conhecido nas redes sociais ao compartilhar conteúdos sobre musculação, alimentação e rotina fitness.

O jovem acumulava cerca de 1,7 milhão de seguidores no Instagram e quase 400 mil inscritos no YouTube.

Inicialmente, Gabriel defendia o fisiculturismo natural, sem uso de anabolizantes. Posteriormente, passou a abordar o tema em seus conteúdos publicados nas redes sociais.

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