BYD vê competição crescer e começa o ano com queda nas vendas na China

Por Letícia Furlan 6 de Fevereiro de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
BYD vê competição crescer e começa o ano com queda nas vendas na China

A BYD começou 2025 em marcha lenta no seu principal mercado. Em janeiro, as vendas domésticas caíram para o menor nível em quase dois anos, em um sinal de que a desaceleração da demanda interna e o excesso de oferta começam a cobrar seu preço.

O recuo ocorre em um momento de crescente preocupação com a economia chinesa e com a superprodução de veículos elétricos, que já transborda para outros países. Segundo informações da CNBC, as vendas das principais montadoras de veículos elétricos despencaram em janeiro na comparação com dezembro — um movimento que vai além da sazonalidade do período.

Parte das empresas divulga apenas números de entregas, sem detalhar vendas domésticas ou internacionais, o que dificulta uma leitura precisa do mercado. Ainda assim, o quadro geral aponta para um esfriamento mais amplo. Helen Liu, sócia da Bain & Company, afirmou ao canal americano prever uma pressão crescente em 2026, impulsionada por fatores políticos e competitivos.

O início do ano costuma ser marcado por volatilidade nos indicadores chineses, já que o feriado do Ano Novo Lunar muda de data a cada ano. Mas, desta vez, o efeito sazonal veio acompanhado de um choque estrutural: o fim parcial dos incentivos fiscais.

Desde 1º de janeiro, a China reduziu a isenção e voltou a cobrar impostos de 5% sobre veículos de novas energias — categoria que inclui elétricos e híbridos — após mais de uma década de isenção quase total.

Liderança em risco?

O freio ocorre apesar de um histórico recente de forte expansão. Em 2025, a BYD superou a americana Tesla e se tornou a maior vendedora global de elétricos a bateria, com 2,26 milhões de unidades — alta de quase 28% em um ano.

Em janeiro, porém, a montadora chinesa vendeu apenas 83.249 carros totalmente elétricos no mercado doméstico, dentro de um total de 205.518 veículos, incluindo híbridos plug-in. Foi o menor volume mensal desde fevereiro de 2024.

Ao mesmo tempo, a competição interna se intensificou. A guerra de preços levou rivais a oferecer mais tecnologia por valores menores. A Aito, que usa o sistema operacional da Huawei, entregou mais de 40 mil veículos em janeiro, alta anual superior a 80%.

Leapmotor e Nio também cresceram, com 32.059 e 27.182 entregas, respectivamente. Já a Xiaomi vendeu mais de 39 mil carros elétricos no mês — abaixo das mais de 50 mil unidades de dezembro, mas ainda em forte expansão anual, às vésperas de uma atualização do sedã SU7.

A Geely assumiu a segunda posição no mercado chinês de elétricos. Em janeiro, vendeu mais de 270 mil veículos, incluindo modelos elétricos das marcas Galaxy e Zeekr e carros exportados. A empresa projeta alcançar 2,22 milhões de vendas de veículos de novas energias em 2026, crescimento de 32%.

A BYD, que vendeu 4,56 milhões de veículos de novas energias no ano passado, ainda não divulgou meta para o mercado interno em 2025. A empresa informou apenas que pretende elevar as vendas no exterior em quase 25%, para 1,3 milhão de carros. As exportações, porém, também recuaram em janeiro, para 100.482 unidades, ante 133.172 em dezembro.

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