SpaceX tenta furar fila de índices antes de IPO trilionário
A SpaceX, empresa de exploração espacial do homem mais rico do mundo Elon Musk, busca acelerar sua entrada em grandes índices de mercado após a abertura de capital prevista para ainda este ano, como forma de impulsionar a liquidez das ações logo após o IPO.
Segundo o Wall Street Journal, assessores da companhia — que recentemente se fundiu à xAI — procuraram provedores de índices, incluindo a Nasdaq, para discutir mudanças nas regras que permitam a inclusão mais rápida de empresas recém-listadas em índices como o Nasdaq-100 e o S&P 500.
Atualmente, companhias que estreiam na bolsa precisam aguardar meses ou até um ano para integrar índices relevantes. A exigência existe para assegurar estabilidade e liquidez antes da entrada de fundos indexados, que são obrigados a comprar as ações incluídas nesses indicadores.
A SpaceX tenta contornar esse intervalo tradicional para antecipar o acesso de investidores institucionais e de varejo, especialmente por meio de ETFs e fundos passivos, como parte da estratégia para garantir um desempenho sólido no pós-IPO.
Avaliada pela última vez em US$ 800 bilhões, a empresa mira uma avaliação superior a US$ 1 trilhão, o que faria da operação a maior abertura de capital da história dos Estados Unidos.
Mudanças em regras de índices
As conversas fazem parte de um debate mais amplo no mercado sobre flexibilizar critérios de inclusão em índices para startups altamente valorizadas. Nesta semana, a Nasdaq apresentou propostas para atualizar a metodologia do Nasdaq-100, incluindo um possível mecanismo de “entrada rápida”.
Pela proposta, segundo o WSJ, empresas com valor de mercado entre as 40 maiores do índice poderiam ser incluídas após 15 pregões, ante o prazo atual mínimo de três meses. Pelas avaliações atuais, SpaceX, OpenAI e Anthropic atenderiam aos critérios.
Índices como o S&P Total Market Index e os da MSCI já contam com mecanismos semelhantes de fast-track, que também estão sendo avaliados por assessores da SpaceX.
Preocupação com volatilidade pós-IPO
Investidores e bancos envolvidos em IPOs temem que o fim do período de lock-up, normalmente de seis meses, provoque forte pressão vendedora. O risco ficou evidente após a abertura de capital da Meta, em 2012, quando a liberação simultânea de ações levou a uma queda relevante dos papéis.
A SpaceX estuda formas de equilibrar oferta e demanda para evitar esse tipo de movimento, segundo fontes próximas às discussões.
O único grande índice sem mecanismo de entrada acelerada é o S&P 500, que exige que a empresa seja americana, lucrativa e tenha valor de mercado mínimo de US$ 22,7 bilhões — critério que garante acesso a uma base de investidores mais estável.
Além da SpaceX, OpenAI e Anthropic também se preparam para estrear na bolsa. A OpenAI planeja um IPO no quarto trimestre, após levantar US$ 100 bilhões a uma avaliação superior a US$ 800 bilhões, enquanto a Anthropic busca novos aportes com valuation estimado em US$ 350 bilhões.
Banqueiros avaliam que 2026 pode marcar um período excepcional para IPOs de tecnologia, desde que as empresas consigam formar uma base sólida de investidores no mercado aberto.
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