Caju avança no mercado de benefícios após nova regra do PAT
A disputa por espaço no mercado de benefícios corporativos ganhou força após mudanças recentes no Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT), que mexeram na forma como empresas e estabelecimentos operam no setor.
Nesse cenário, a Caju, empresa de tecnologia para RH fundada por Eduardo del Giglio, tenta avançar sobre um mercado que movimenta mais de R$ 150 bilhões por ano no Brasil. A proposta é reunir benefícios, gestão de pessoas e despesas corporativas em uma única plataforma.
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O ponto de virada veio com o Decreto nº 12.712, publicado em novembro, que obriga empresas de grande porte a adotarem o modelo de arranjo aberto — sistema que amplia a rede de aceitação dos cartões. A decisão do TRF3 de derrubar liminares contra a medida consolidou a mudança regulatória.
“A decisão do TRF3 é importante porque recoloca o debate no rumo certo e reforça a validade do decreto”, afirma Giglio.
A empresa entra nesse novo ciclo com escala. São mais de 60 mil empresas clientes, mais de 1 milhão de usuários e cerca de 700 colaboradores. Em 2025, a receita cresceu mais de 60%. Para este ano, a meta é avançar acima de 50%.
“O setor precisa evoluir. O foco precisa estar em ampliar a aceitação, reduzir custos e melhorar a experiência do trabalhador”, afirma.
De cartão de benefícios a plataforma de RH
A Caju nasceu com um produto simples: um cartão que concentra diferentes benefícios em um único saldo. A solução permite que empresas distribuam valores em categorias como alimentação, refeição, mobilidade e cultura.
O cartão opera em arranjo aberto, com bandeira Visa, e é aceito em milhões de estabelecimentos no país. A lógica é reduzir a fragmentação do modelo tradicional, em que o colaborador precisa lidar com múltiplos cartões e regras.
Com o tempo, a empresa ampliou o escopo. Hoje, a plataforma inclui gestão de benefícios, controle de despesas corporativas e ferramentas para o RH.
Um dos produtos é o Hub de Benefícios, que centraliza contratação, gestão e governança em um único sistema. A empresa também oferece soluções para reembolso, adiantamento e controle de gastos corporativos.
“Nosso objetivo é a escalabilidade”, afirma Giglio.
Tecnologia como base da operação
A expansão passa por investimento em produto. Em 2025, a empresa aumentou o time de tecnologia em 64% e contratou Fernanda Weiden, ex-Google, Meta e VTEX, para liderar a área como CPTO, sigla em inglês para Chief Product and Technology Officer, diretora de produto e tecnologia.
Ao longo do ano, foram cerca de 50 lançamentos de funcionalidades. Entre eles, melhorias no sistema de despesas corporativas e a integração do Pix ao aplicativo, permitindo movimentação direta de saldo.
A empresa também aposta em dados e inteligência artificial para orientar clientes. As aplicações se concentram em recrutamento e seleção, além de análise de dados. Em mais da metade dos casos, a tecnologia reduz o tempo de triagem de candidatos.
O impacto da nova regra do PAT
A mudança regulatória é tratada como um divisor de águas.
O modelo de arranjo aberto já estava previsto em lei desde 2022, mas ganhou força com a regulamentação recente. Na prática, ele permite que os cartões sejam aceitos em uma rede mais ampla, reduzindo dependência de credenciamentos fechados.
Segundo Giglio, o modelo anterior limitava a concorrência e pressionava pequenos estabelecimentos com taxas elevadas.
“O foco precisa estar em ampliar a aceitação, reduzir custos e melhorar a experiência do trabalhador”, afirma.
A empresa também rebate críticas de que o modelo aberto permitiria uso indevido dos benefícios. Segundo o executivo, a tecnologia bloqueia compras fora das categorias permitidas.
Com a decisão do TRF3, que derrubou ações judiciais contra o decreto, a expectativa é de maior previsibilidade para o setor.
Expansão comercial e foco em grandes empresas
Com o novo cenário, a Caju ampliou o time comercial e passou a mirar empresas de maior porte.
A estratégia é usar contratos maiores para acelerar receita, ao mesmo tempo em que mantém a base de pequenas e médias empresas.
Hoje, a empresa atende mais de 60 mil clientes, de diferentes setores, e mantém uma base ativa de mais de 1 milhão de usuários.
Além do crescimento orgânico, a empresa aposta em marca e posicionamento. Em 2025, lançou uma campanha com o cantor Zeca Pagodinho para destacar o papel dos benefícios na atração de trabalhadores.
Segundo a empresa, 80% dos clientes relatam impacto positivo em atração e retenção de talentos.
Captação e estrutura
Desde a fundação, a Caju levantou recursos em três rodadas principais.
Em 2020, recebeu R$ 13 milhões em rodada seed. Em 2021, captou R$ 45 milhões na Série A. Em 2022, levantou US$ 25 milhões na Série B, liderada pela K1 Investment Management.
Os recursos foram usados para ampliar equipe, desenvolver produtos e estruturar a operação.
Hoje, a empresa organiza sua atuação em três frentes: benefícios, software para RH e soluções financeiras. A aposta é que a integração dessas áreas aumente o uso da plataforma pelos clientes.
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