Calor extremo na Europa: Espanha tem 212 mortes em 4 dias e países cortam energia e aulas

Por Diandra Guedes 26 de Junho de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Calor extremo na Europa: Espanha tem 212 mortes em 4 dias e países cortam energia e aulas

A Europa enfrenta uma das mais intensas ondas de calor já registradas no início do verão do hemisfério norte. Em diversos países, os termômetros ultrapassaram os 40°C, levando autoridades a emitir alertas de risco à saúde, restringir atividades ao ar livre e até interromper serviços públicos.

Na Espanha, ao menos 212 mortes registradas entre os dias 21 e 24 de junho podem estar relacionadas às altas temperaturas, segundo o sistema espanhol de monitoramento de mortalidade diária (MoMo), ligado ao Ministério da Saúde do país.

França, Itália, Alemanha e Reino Unido também registraram mortes e transtornos provocados pelo calor extremo.

O episódio recebeu o nome informal de "onda de calor Ômega", em referência ao padrão atmosférico conhecido como bloqueio ômega, quando uma área de alta pressão assume o formato da letra grega Ω e permanece estacionada por vários dias sobre uma região.

Esse sistema funciona como uma espécie de tampa atmosférica, impedindo a chegada de frentes frias e favorecendo o acúmulo contínuo de ar quente próximo à superfície.

O que é essa onda de calor e por que ela está acontecendo?

Uma onda de calor ocorre quando temperaturas excepcionalmente elevadas permanecem por vários dias consecutivos em uma determinada região, acima da média histórica para aquele período do ano.

No caso europeu, especialistas apontam a combinação de três fatores principais:

Embora bloqueios atmosféricos ocorram naturalmente, estudos indicam que o aquecimento global aumenta a intensidade e a duração desses eventos extremos ao elevar a temperatura de base do planeta.

Isso significa que, quando uma onda de calor ocorre hoje, ela tende a ser mais intensa do que seria algumas décadas atrás.

A influência do El Niño neste episódio específico é considerada secundária. O principal fator apontado pelos organismos internacionais é o aquecimento global induzido pelas emissões de gases de efeito estufa.

A situação atual também chama atenção pelo momento do ano em que ocorreu. O verão europeu começou oficialmente em 21 de junho e, poucos dias depois, diversos países já enfrentavam temperaturas típicas do auge da estação, normalmente observado entre julho e agosto.

Por que essa onda de calor é periogosa?

Ondas de calor estão entre os desastres naturais mais letais do mundo. Diferentemente de furacões ou enchentes, seus efeitos muitas vezes não são imediatamente visíveis, mas podem ser devastadores para a saúde pública.

As altas temperaturas aumentam significativamente o risco de:

Idosos, crianças, trabalhadores expostos ao sol e pessoas com doenças crônicas estão entre os grupos mais vulneráveis.

Segundo a plataforma Climate-ADAPT, da União Europeia, a duração e a intensidade das ondas de calor perigosas à saúde humana já estão aumentando em todo o continente e devem continuar crescendo nas próximas décadas.

Além dos impactos na saúde, o calor extremo afeta infraestrutura e serviços essenciais. Nesta semana, países europeus registraram interrupções no fornecimento de energia elétrica, fechamento de escolas, cancelamento de eventos esportivos e restrições ao trabalho ao ar livre.

Em algumas regiões da França, usinas nucleares precisaram reduzir operações para evitar o superaquecimento dos rios utilizados no sistema de resfriamento dos reatores.

O que esperar dos próximos verões europeus?

Os principais organismos climáticos internacionais afirmam que episódios como o atual devem se tornar mais frequentes e intensos ao longo das próximas décadas, como aconteceu em 2025.

A Organização Meteorológica Mundial (OMM) e o programa europeu Copernicus classificam a Europa como o continente que aquece mais rapidamente no planeta atualmente.

O relatório European State of the Climate 2025 aponta que as ondas de calor estão se tornando mais comuns tanto no sul quanto no centro do continente.

A Agência Europeia do Ambiente também afirma que a frequência e a severidade de eventos extremos, incluindo ondas de calor, secas e incêndios florestais, já aumentaram significativamente nos últimos anos.

As projeções indicam que mesmo em cenários de redução das emissões globais, a Europa continuará registrando verões mais quentes nas próximas décadas.

O sul europeu, especialmente países como Espanha, Portugal, Itália e Grécia, aparece entre as regiões mais vulneráveis.

Para especialistas, a discussão deixou de ser se novas ondas de calor ocorrerão e passou a ser como cidades e sistemas de saúde poderão se adaptar a um clima cada vez mais quente.

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