Câmara rejeita resolução de saída dos EUA da guerra com Irã e limites aos poderes de Trump

Por Mateus Omena 6 de Março de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Câmara rejeita resolução de saída dos EUA da guerra com Irã e limites aos poderes de Trump

A Câmara dos Representantes dos Estados Unidos rejeitou nesta quinta-feira, 5, uma proposta que buscava interromper a campanha aérea do presidente Donald Trump contra o Irã e determinar que qualquer ação militar contra o país fosse previamente autorizada pelo Congresso.

A decisão representa apoio à ofensiva conduzida pelo presidente republicano, agora no sexto dia de um conflito que se intensifica, segundo a agência Reuters.

O placar foi de 219 votos contra 212, seguindo majoritariamente as divisões partidárias na Câmara, onde os republicanos possuem uma maioria estreita. Dois parlamentares republicanos votaram a favor da proposta, enquanto quatro democratas se posicionaram contra.

Críticos da resolução acusaram os democratas de levarem o tema à votação apenas por oposição ao presidente, afirmando que a iniciativa poderia aumentar os riscos para os Estados Unidos.

"Todos nós sabemos que não estaríamos aqui hoje se o nome do presidente não fosse Donald Trump", disse o deputado Rick Crawford, presidente republicano do Comitê de Inteligência da Câmara, durante o debate.

Os autores da proposta afirmaram que a iniciativa buscava restabelecer o papel constitucional do Congresso na autorização de guerras.

Os Estados Unidos e Israel iniciaram ataques contra o Irã no sábado. O confronto já deixou mais de 1.000 mortos, incluindo pelo menos seis militares americanos, além de provocar danos e instabilidade em diferentes áreas do Oriente Médio.

Segundo apoiadores da resolução, exigir que Trump buscasse autorização do Congresso obrigaria o presidente a explicar aos cidadãos por que os Estados Unidos entraram no conflito e qual seria o caminho para encerrá-lo.

"Esta é uma guerra de escolha, lançada por esta administração sem autorização, sem objetivos claramente definidos ou um objetivo final estabelecido, e sem explicar como pretendem manter os americanos em segurança", afirmou o deputado Gregory Meeks, de Nova York, representante dos Democratas na Comissão de Relações Exteriores.

Aprovação não teria impedido a campanha aérea

Momentos antes da votação da resolução, parlamentares de ambos os partidos aprovaram com ampla maioria outra medida declarando que o Irã continua sendo o maior patrocinador estatal do terrorismo.

Mesmo que tivesse sido aprovada, a resolução não teria interrompido imediatamente o conflito.

Para se tornar lei, o texto ainda precisaria passar pelo Senado e reunir maioria de dois terços para derrubar um veto que Trump provavelmente aplicaria.

O Senado, também controlado por pequena margem pelos republicanos, já havia demonstrado apoio à campanha militar do presidente. Na quarta-feira, a Casa votou para bloquear uma resolução bipartidária semelhante à proposta analisada pela Câmara.

As votações realizadas nesta semana não encerram o debate. A Resolução sobre Poderes de Guerra de 1973 determina que o presidente só pode envolver as forças armadas em conflitos armados quando houver declaração de guerra do Congresso, autorização específica ou resposta direta a um ataque.

Trump e parlamentares republicanos argumentaram que o Irã representava uma "ameaça iminente", sustentando que a ofensiva militar se enquadra na legislação.

A mesma lei, no entanto, estabelece que operações militares não autorizadas devem ser encerradas em até 60 dias. Com isso, o governo Trump teria prazo até o fim de abril para buscar aprovação formal do Congresso.

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