Com 10 milhões de toneladas exportadas, Vale vê Índia como 'nova China'

Por Luciano Pádua 21 de Fevereiro de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Com 10 milhões de toneladas exportadas, Vale vê Índia como 'nova China'

NOVA DÉLI* — O CEO da Vale, Gustavo Pimenta, afirmou neste sábado, 21, que a Índia pode repetir a trajetória de expansão industrial observada na China nos anos 2000, movimento que transformou o país asiático no principal destino do minério brasileiro, e definir a demanda da commodity nos próximos anos.

“A gente vê semelhanças muito grandes com o que a gente observou no início dos anos 2000 na China”, disse o executivo durante o India-Brazil Business Forum promovido pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil).

Segundo ele, a Índia hoje produz cerca de 150 milhões de toneladas de aço por ano e pode ultrapassar 300 milhões na próxima década.

Esse aumento exigirá grandes volumes de minério de ferro para sustentar as demandas de infraestrutura, manufatura e mercado imobiliário. A Índia já é a quarta maior economia global e cresce acima de 6% ao ano nos últimos anos.

“Tem um volume muito grande para suportar todo o desenvolvimento de infraestrutura, manufatura", afirmou. "É um mercado muito grande.”

Para a mineradora brasileira, a Índia reúne os ingredientes que, duas décadas atrás, transformaram a China no epicentro da demanda global por minério: industrialização acelerada, infraestrutura em expansão e ambição geoeconômica.

A presença da Vale na Índia já começou a crescer. Há três ou quatro anos, as vendas eram reduzidas, apontou Pimenta. No ano passado, a companhia vendeu 10 milhões de toneladas de minério ao país.

“Eu consigo ver essa participação nossa no mercado indiano crescendo muito ao longo dos próximos anos e se tornando um dos principais mercados para locação do nosso níquel de ferro”, disse Pimenta.

O movimento lembra o início da relação comercial com a China, lembrou o executivo, que se consolidou como principal cliente da mineradora ao longo das últimas duas décadas.

Estratégia de valor agregado

Pimenta ponderou que a Índia tem bastante minério de ferro e, para ampliar a presença da empresa no país, a estratégia será agregar valor.

“A oportunidade que a gente vê aqui é blendar [misturar] o nosso produto para criar uma melhor solução para os nossos parceiros siderúrgicos indianos”, afirmou

Segundo Pimenta, a empresa assinará memorandos de entendimento para desenvolver um centro de blendagem na Índia, misturando minério brasileiro de alto teor com minério local para oferecer uma solução mais eficiente às siderúrgicas indianas.

A ideia é semelhante ao que a empresa já fez em mercados como Malásia e China. "Para que a gente possa trazer o produto de alto teor brasileiro, que beneficia muito a cadeia siderúrgica porque permite a descarbonização dessa energia, e a gente possa blendar o nosso produto com o produto indiano para oferecer a melhor solução para os nossos clientes", afirmou Pimenta.

O projeto prevê estrutura industrial no país e reforça a estratégia de aproximação de longo prazo, segundo o CEO.

Minerais críticos e transição energética

O executivo também destacou que o Brasil ocupa posição privilegiada na corrida global por minerais estratégicos.

“O Brasil é abençoado na questão de minerais críticos. A gente tem a tabela periódica no nosso território”, afirmou.

Ele lembrou que a demanda global por minerais essenciais à transição energética pode exigir aumento de oferta entre cinco e seis vezes a capacidade atual instalada— cenário que abre espaço para expansão das exportações ao mercado indiano.

* O jornalista viajou a convite da ApexBrasil

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