Câncer no coração é raro? Resposta pode estar no batimento cardíaco

Por Luiz Anversa 26 de Abril de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Câncer no coração é raro? Resposta pode estar no batimento cardíaco

Você conhece alguém que teve câncer no coração? Se a resposta for não, saiba que ela é mais esperada nesse tipo de questionamento.

Um estudo publicado pela revista científica Science aponta que o batimento do coração impede o crescimento de tumores nesse órgão em camundongos. A descoberta pode ajudar a explicar por que cânceres cardíacos são extremamente raros em mamíferos, inclusive em humanos.

Embora praticamente todos os órgãos e tecidos do corpo possam desenvolver tumores, o coração é uma exceção. Em humanos, tumores cardíacos primários aparecem em menos de 1% das autópsias, enquanto os cânceres secundários — quando o tumor se origina em outra parte do corpo — são encontrados em até 18% dos casos.

Até agora, não havia uma explicação satisfatória para a raridade desse tipo de câncer, afirma James Chong, cardiologista e pesquisador da Universidade de Sydney, na Austrália. Segundo ele, o novo estudo publicado na Science apresenta uma evidência convincente de que o estresse mecânico provocado pelo movimento contínuo do coração pode ser um fator-chave para impedir o crescimento tumoral.

A pesquisa foi conduzida por Serena Zacchigna, médica e cientista da Universidade de Trieste, na Itália. Sua equipe transplantou corações para o pescoço de camundongos geneticamente modificados. Esses corações transplantados recebiam fluxo sanguíneo e eram funcionais, mas não batiam.

Células cancerígenas

Os pesquisadores então injetaram células cancerígenas tanto nos corações transplantados quanto nos corações nativos, ainda no lugar original dos animais. Após duas semanas, os tumores haviam se multiplicado e substituído a maior parte do tecido saudável nos corações que não batiam. Já nos corações nativos, apenas cerca de 20% do tecido estava comprometido pelo câncer.

Em outra etapa do estudo, a equipe criou tecido cardíaco artificial a partir de células de ratos cultivadas em laboratório. Esse tecido só passava a bater quando os pesquisadores adicionavam íons de cálcio, essenciais para o ritmo cardíaco no organismo.

Após a injeção de células de câncer de pulmão, os cientistas observaram que os tumores cresciam mais e ocupavam mais espaço nos tecidos que permaneciam estáticos do que nos tecidos que se contraíam. Além disso, enquanto as células cancerígenas se espalhavam por todo o tecido imóvel, no tecido em movimento elas se concentravam apenas nas camadas externas.

Os resultados reforçam a hipótese de que o batimento constante do coração cria um ambiente hostil ao desenvolvimento do câncer, ajudando a explicar por que tumores nesse órgão são tão raros.

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