Candidatos discutem Trump e esquecem preocupações do brasileiro, diz CEO da Alfa

Por André Martins 27 de Junho de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Candidatos discutem Trump e esquecem preocupações do brasileiro, diz CEO da Alfa

A crescente presença do presidente americano Donald Trump nas discussões da corrida presidencial de 2026 no Brasil tem deslocado o foco do debate eleitoral, na avaliação do CEO do Instituto Alfa Inteligência e estrategista político, Emanoelton Borges.

Para ele, esse movimento representa um erro das pré-candidaturas à Presidência da República, ao priorizar temas externos em detrimento da agenda que impacta realmente a vida do brasileiro.

“O principal erro dos candidatos é não discutir os problemas do país”, disse Borges no programa Eleições em Pauta da EXAME.

Trump se manteve no noticiário brasileiro após visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), seguida pela visita do senador Flávio Bolsonaro (PL) e a ameaça de um novo tarifaço por supostas práticas brasileiras que prejudicam as empresas e a economia americana.

Lula tem criticado o presidente americano após a possibilidade de novas tarifas, enquanto Flávio tem tentado demonstrar alinhamento com Trump.

O republicano publicou ainda artigo em que classificou as eleições no Brasil como o próximo teste para a sua influência.

“Ele [Trump] causa muito mais barulho do que a influência política na cabeça do eleitor”, afirmou.

Borges destaca que o americano é visto de forma positiva por eleitores ligados à direita, enquanto na esquerda é encarado como uma figura controversa. Essa divisão não gera mudança na escolha de voto.

Segundo o analista, a dinâmica da campanha tem privilegiado pautas de conflito e referências externas, o que reduz o espaço para discussões sobre crescimento econômico, renda e condições de vida.

“Você não pega um candidato que vai dizer: ‘Eu vou resolver a segurança pública, eu vou gerar mais emprego, eu vou trazer prosperidade'”, disse o CEO do Alfa.

Para ele, esse movimento ocorre em um ambiente no qual parte dos eleitores já demonstra desalinhamento com debates ideológicos tradicionais.

“Todo mundo quer prosperar. Mas guerra não prospera, tarifa não prospera, intervenção não prospera”, afirmou.

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